Menu

Mapa do site

Emissão de boleto

Nacional São Paulo

Emissão de boleto

Nacional São Paulo
8 OUT 2025

Imagem do dia

Seminário Pré-COP30; FOTOS

Imagem do dia - Força Sindical

Enviar link da notícia por e-mail

Criança e Adolescente

Crise estanca queda de mortes na infância

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Criança e Adolescente

Crise estanca queda de mortes na infância

Após mostrarem melhoras significativas por mais de uma década, os indicadores de mortalidade infantil apontam que esse ritmo de avanço foi bastante reduzido na taxa geral e já registra retrocessos preocupantes nos números de mortes evitáveis para crianças entre um mês e quatro anos.
Crise estanca queda de mortes na infânciaCrédito: Divulgação

Em 2016, dado mais recente disponível, o número de óbitos nesta faixa etária aumentou 11%, segundo números disponíveis no Ministério da Saúde, após 13 anos de queda. A alta em 2016 foi generalizada, apenas Rio Grande do Sul, Sergipe, Paraíba e Distrito Federal tiveram redução das mortes nesta faixa. Em alguns locais, como Roraima, o número mais do que dobrou.

O número de mortes entre 1 mês de vida e um ano de idade também aumentou no país em 2016, mas menos, cerca de 2%. Como as mortes neonatais (até um mês) continuam caindo, o número total de mortes entre zero e cinco anos não subiu, mas o ritmo de redução vem se desacelerando.

Os dados acenderam um alerta e tem sido monitorados com atenção pelo Ministério da Saúde. A pasta não fechou a taxa global de mortalidade infantil ajustada oficial do país em 2016. Os dados brutos foram consolidados pelo Observatório da Criança e do Adolescente, mantido pela Fundação Abrinq, e indicam uma piora na taxa, para 12,7 mortos em mil nascidos vivos em 2016. Em 2015 esse número era de 12,4.

Outro dado de mortalidade infantil, da Unicef, que usa fonte diferente para os nascidos vivos (a estimativa das Nações Unidas) e observa as mortes neonatais (até um mês), não registra essa piora. A taxa média sai de 8,2 para 7,8 na passagem de 2015 para 2016. A estimativa para taxa de mortalidade infantil média da Unicef ficou em 13,5 em 2016 (era 14 em 2015). No entanto, nas estatísticas é visível que a melhora mais significativa vista nos primeiros anos da década perdeu tração.

A brutal recessão, somada à crise fiscal, refletida na escassez de recursos públicos e cortes em determinados programas, além da grave seca que atingiu locais do Nordeste do país são apontados como alguns dos fatores determinantes para o aumento das mortes.

"Os números apontados pelas pesquisas causam preocupação. Para nós, o desenvolvimento de políticas em prol das crianças é fundamental para que tenhamos adultos sadios", diz Neuza Barbosa de LIma, secretária da Criança e do Adolescente da Força Sindical.

Segundo a doutora Fatima Marinho, diretora do departamento que consolida e analisa esses dados no Ministério da Saúde, a taxa de 2016 não foi ainda finalizada, mas ela considera relevante observar os números absolutos quebrados por faixas, até porque houve uma redução atípica no número de nascimentos em 2016 – ano em que se multiplicaram os casos do vírus zika – que em alguns estados chegou a 9%.

A taxa de mortalidade infantil considera o número de mortos até um ano a cada mil nascidos vivos. Monitora-se ainda a taxa que se chama de mortalidade na infância, que considera o número de crianças de até 5 anos mortas a cada mil nascidos vivos.

"O número de mortes infantis, no geral, em 2016 cai, embora se reduza a velocidade de queda. No entanto, vemos que as mortes pós-neonatais [após 28 dias de nascido] e até 4 anos aumentam", observa ela. Para Fatima, isso mostra que na parte neonatal, mais influenciada pela tecnologia, a evolução continua, no entanto, as faixas que são mais vulneráveis à piora da pobreza, mostram altas que estão sendo acompanhadas com atenção.

"A mortalidade pós-neonatal, que é a mais sensível ao desenvolvimento social, está tendo um repique. Algumas dessas causas de morte mostram aumento em 2016 e projeta aumento para anos seguintes também. Algumas são muito associadas à pobreza, por exemplo, as gastrointestinais, que vinham reduzindo fortemente, mas tem repique em 2016. Já vínhamos observando e assinalando esses problemas, então vamos ver em 2017 se isso se mantém ou conseguimos reverter", afirma Fatima.

Ela lembra, no entanto, que o país conseguiu atingir as metas do milênio (reduzir dois terços da mortalidade infantil entre 1990 e 2015) em 2012 e os estados que não cumpriram a meta foram alguns dos mais ricos. "Nordeste e Norte cumpriram muito além e aí reduziram a desigualdade", diz.

Especialistas consultados pelo Valor avaliam que a piora dos indicadores ligados à sobrevivência e ao cuidado com a primeira infância, como a desnutrição, foram afetados de maneira significativa pelo encolhimento de programas especializados em assistência à saúde da mãe e ao aleitamento materno.

Levantamento feito pela Fundação Abrinq aponta que alguns programas tiveram corte nos investimentos em 2016. Um exemplo é o programa Rede Cegonha, voltado à atenção à mãe no pré-natal, parto e nascimento, e o desenvolvimento da criança até os dois primeiros anos de vida. Em 2015, foram gastos no orçamento federal só R$ 21 milhões de R$ 172 milhões previstos; no ano seguinte, o valor liquidado caiu a R$ 18,3 milhões, dos R$ 117 milhões previstos no início daquele ano.

No Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), em que o governo federal repassa aos Estados recursos para garantir a alimentação na escola para alunos de todas as fases da educação pública, também encolheu o volume liquidado no Orçamento de R$ 3,7 bilhões para R$ 3,4 bilhões. "Há uma fragilização considerável das políticas sociais voltadas à criança", diz Denise Maria Cesario, gerente executiva da Fundação Abrinq.

Outro quadro que piorou foi o da desnutrição. O percentual de crianças menores de 5 anos em desnutrição (de baixa estatura para a idade) aumentou de 12,6% para 13,1% de 2016 para 2017, de acordo com dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) reunidos pela Fundação Abrinq. Também em 2015 e 2016 ficou estagnado em cerca de R$ 27 bilhões o orçamento do Bolsa Família, que transfere renda diretamente às famílias em situação de pobreza e extrema pobreza.

Também aumentou em 14 Estados a desnutrição em crianças menores de cinco anos, indicador que mede o número e percentual de crianças menores de 5 anos com baixa estatura e muito baixa estatura para a idade, de acordo com os dados do Sisvan.

Para o coordenador de políticas públicas do Insper, Naercio Menezes, o encolhimento de gastos sociais durante a crise econômica reflete decisões equivocadas a respeito das prioridades do gasto público, especialmente em tempos de recessão, quando a população vulnerável é a mais atingida. Ele destaca que, mesmo do ponto de vista fiscal, é muito mais eficiente e barato investir no desenvolvimento da primeira infância do que corrigir erros na população adulta, como déficit de educação e criminalidade.

"O aluno vai repetir de ano, porque sobreviveu a condições muito precárias ao longo da vida. Aí, depois, chega no ensino médio e sai porque está muito velho, porque não acompanha. Não consegue entrar no mercado formal, fica rodando entre o desemprego, entre ser 'nem-nem', e eventualmente acha que o crime vale mais a pena", exemplifica o pesquisador. Naercio cita exemplos de gastos públicos que poderiam ser cortados antes que fossem prejudicados os programas sociais voltados às crianças pobres.

"Mesmo em situação de crise, você tem que priorizar essa áreas para evitar mais o problema futuro e tirar subsídios injustificados", afirma citando o financiamento de dívidas tributárias, Refis e dívidas rurais. "Você segura todas essas despesas porque a população mais vulnerável não tem poder de pressão", afirma.

"A mortalidade infantil não reflete apenas problema de renda e segurança alimentar, mas todo o atendimento materno e infantil", afirma a pesquisadora Lena Lavinas, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). "Os dados de mortalidade infantil até um ano estão muito mais ligados à provisão dos serviços adequados à mãe e à criança. Portanto, isso diz respeito à qualidade e quantidade da oferta de serviços de saúde. E que diz respeito a uma série de outras coisas, como as condições de saneamento em que a criança vai morar", diz.

Lena cita também a estagnação de programas focados em levar saúde a famílias em localidades isoladas, como o Mais Médicos. "A queda da mortalidade infantil estagnou. Isso reflete uma piora das condições de vida em que as crianças não estão sendo preservadas, e não tem nada a ver com Bolsa Família, mas com saneamento, saúde".

Fatima, do Ministério da Saúde, concorda que o encolhimento do Mais Médicos pode ter tido efeitos indesejáveis. Ela cita o exemplo do semiárido nordestino. "Onde houve aumento de morte por diarreia? Geralmente na população muito pobre. Não se morre mais por isso, mas houve um repique. Vemos lugares nos municípios do semiárido, por exemplo, que eram mais atendidos pelo programa Mais Médicos, que tinham reduzido bastante essas mortes, e agora isso volta a crescer porque o programa encolheu também", diz. Ela observa que houve ainda aumento da morte materna e que restrições de investimentos acabam por causar danos à saúde coletiva.

Sobre a desnutrição infantil, Lena aponta a implementação de creches públicas como ferramenta importante para garantir que, mesmo em tempos de recessão e desemprego, as crianças tivessem alimentação adequada. E, mesmo com a queda da inflação, medidas como o aumento dos preços do gás fragilizaram a segurança alimentar dos mais pobres.

"Se a gente quer combater a desnutrição infantil não é só pensar que é responsabilidade das famílias, mas a oferta de pré-escola e creche contribuiria para oferecer uma oferta variada de alimentação para as crianças. É claro que, se eu tenho um salário mínimo que foi indexado abaixo da inflação e o gás que, em 2017, aumenta 15%, estou empurrando as pessoas para elevar seus gastos com alimentação", diz Lena.

 

Fonte: Valor

Últimas de Criança e Adolescente

Todas de Criança e Adolescente
1º de Maio reúne metalúrgicos por democracia e direitos
Força 1 MAI 2026

1º de Maio reúne metalúrgicos por democracia e direitos

O 1º de Maio e a luta pela redução da jornada
1º de Maio 1 MAI 2026

O 1º de Maio e a luta pela redução da jornada

Centrais destacam prioridades em anúncio nos jornais
1º de Maio 1 MAI 2026

Centrais destacam prioridades em anúncio nos jornais

Dirigentes das centrais sindicais convocam para 1º de Maio
1º de Maio 30 ABR 2026

Dirigentes das centrais sindicais convocam para 1º de Maio

1º de Maio: saiba onde vão acontecer eventos
1º de Maio 30 ABR 2026

1º de Maio: saiba onde vão acontecer eventos

1º de Maio: metalúrgicos SP vão defender empregos, direitos e democracia
1º de Maio 30 ABR 2026

1º de Maio: metalúrgicos SP vão defender empregos, direitos e democracia

Juruna fala ao Brasil 247 sobre 1º de Maio, jornada e eleições
1º de Maio 30 ABR 2026

Juruna fala ao Brasil 247 sobre 1º de Maio, jornada e eleições

CODEFAT debate seguro-desemprego e contas do FAT
Força 30 ABR 2026

CODEFAT debate seguro-desemprego e contas do FAT

Sindnapi participa de reunião do Conselho da Pessoa Idosa
Força 30 ABR 2026

Sindnapi participa de reunião do Conselho da Pessoa Idosa

Químicos de Americana elegem diretoria
Força 30 ABR 2026

Químicos de Americana elegem diretoria

Cadastro do 1º de Maio
1º de Maio 30 ABR 2026

Cadastro do 1º de Maio

1º de Maio: unidade, valorização do trabalho e luta por direitos
1º de Maio 30 ABR 2026

1º de Maio: unidade, valorização do trabalho e luta por direitos

1º de Maio: Lutar pelo fim da escala 6×1 e celebrar as conquistas da classe trabalhadora
1º de Maio 30 ABR 2026

1º de Maio: Lutar pelo fim da escala 6×1 e celebrar as conquistas da classe trabalhadora

Juros altos ampliam endividamento das famílias
Força 29 ABR 2026

Juros altos ampliam endividamento das famílias

CSPB reúne lideranças para formação política
Força 29 ABR 2026

CSPB reúne lideranças para formação política

Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos comemora 63 anos
Força 29 ABR 2026

Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos comemora 63 anos

Sintepav Bahia intensifica assembleias e alerta sobre uso de protetor solar
Força 29 ABR 2026

Sintepav Bahia intensifica assembleias e alerta sobre uso de protetor solar

Sindnapi promove baile dos idosos em Americana
Força 29 ABR 2026

Sindnapi promove baile dos idosos em Americana

Fenabor articula com governo contra concorrência desleal
Força 29 ABR 2026

Fenabor articula com governo contra concorrência desleal

28 de abril: Fenepospetro em defesa da saúde e segurança dos frentistas
Força 28 ABR 2026

28 de abril: Fenepospetro em defesa da saúde e segurança dos frentistas

Químicos reforçam luta por segurança no ato do Dia 28 de Abril
Força 28 ABR 2026

Químicos reforçam luta por segurança no ato do Dia 28 de Abril

Ato de 28 de Abril reforça luta por saúde no trabalho
Força 28 ABR 2026

Ato de 28 de Abril reforça luta por saúde no trabalho

Centrais fazem ato contra juros altos na Paulista
Força 28 ABR 2026

Centrais fazem ato contra juros altos na Paulista

Renosul e Bruma: Sintrabor garante adicional de insalubridade
Força 28 ABR 2026

Renosul e Bruma: Sintrabor garante adicional de insalubridade

Sintracon-SP fará palestra com Paulo Teixeira, ex-ministro de Lula
Força 27 ABR 2026

Sintracon-SP fará palestra com Paulo Teixeira, ex-ministro de Lula

Debate sobre redução da jornada e fim da escala 6×1 na Jovem Pan News
Força 27 ABR 2026

Debate sobre redução da jornada e fim da escala 6×1 na Jovem Pan News

Ato e Canto pela Vida mobiliza São Paulo no dia 26
Força 27 ABR 2026

Ato e Canto pela Vida mobiliza São Paulo no dia 26

Sinthoresp no 50º Campeonato Brasileiro de Coquetelaria
Força 27 ABR 2026

Sinthoresp no 50º Campeonato Brasileiro de Coquetelaria

Chapa 1 vence eleição no Sindicato dos Brinquedos SP com ampla maioria
Força 27 ABR 2026

Chapa 1 vence eleição no Sindicato dos Brinquedos SP com ampla maioria

Centrais farão ato amanhã (28/04) contra juros altos na Av. Paulista
Força 27 ABR 2026

Centrais farão ato amanhã (28/04) contra juros altos na Av. Paulista

Aguarde! Carregando mais artigos...