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COP-30

Miguel Torres defende unidade e transição justa na COP 30

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

COP-30

Miguel Torres defende unidade e transição justa na COP 30

Miguel Torres reforça unidade da classe trabalhadora, representação no Congresso, defesa da democracia e transição justa com emprego, renda e protagonismo sindical

Miguel Torres defende unidade e transição justa na COP 30

Miguel Torres defende unidade e transição justa na COP 30

O presidente da Força Sindical, Miguel Torres, celebrou a força da plenária e destacou a união construída com diálogo, durante sua fala no Encontro Nacional dos Trabalhadores na COP 30.

Ele afirmou que o bom senso venceu e trouxe pluralidade ao encontro. Além disso, reforçou que a unidade dos trabalhadores impulsiona conquistas e barra retrocessos.

“É a unidade que protege o povo e fortalece nossas lutas”, afirmou.

O sindicalista lembrou a eleição de 2022 e reconheceu seu impacto. Ele creditou a vitória ao movimento sindical e à frente ampla que garantiu Lula na Presidência.

Entretanto, alertou que a mesma força não elegeu um Congresso alinhado aos trabalhadores. Para ele, essa lacuna deixou avanços vulneráveis no Parlamento. Por isso, defendeu ação direta nas urnas.

“Chega de eleger ‘amigos dos trabalhadores’ que, na hora do voto, ficam com os patrões”, enfatizou Miguel Torres.

Ele também afirmou que a classe trabalhadora é maioria no país, mas, paradoxalmente, não é maioria no Congresso, Assembleias ou Câmaras municipais. Nesse sentido, convocou o movimento sindical a disputar mandatos.

“Precisamos colocar representação real do trabalhador onde as leis são feitas”, disse.

Em seguida, conectou a agenda política à Transição Justa debatida na COP. Para ele, mudanças climáticas e tecnológicas devem proteger empregos e garantir dignidade. No entanto, criticou a exclusão dos trabalhadores dos espaços de decisão.

“Enquanto o poder econômico domina tudo, o povo luta até para entrar nas salas de debate”, apontou.

O sindicalista concluiu sua fala com três eixos principais: unidade, participação política e representação no Parlamento. “É assim que construiremos justiça social e futuro digno”, finalizou.

Leia a íntegra do discurso:

Companheiras e companheiros,

Quero começar destacando o esforço e o trabalho de todos vocês para que fosse possível realizarmos essa plenária tão representativa. Eu sei que, no começo, foi um puxando para um lado, outro para o outro — mas o bom senso prevaleceu. E o resultado está aqui: um encontro forte, unido e plural.

Essa plenária é uma demonstração de que a unidade dos trabalhadores é o que nos fortalece. É ela que nos faz avançar nas lutas e também impede que retrocessos prejudiquem o nosso povo.

Nós estamos aqui hoje, reunidos, porque em 2022 o povo brasileiro e o movimento sindical se uniram e elegeram o companheiro Lula presidente da República. Se não fosse essa vitória, provavelmente não estaríamos reunidos, debatendo com liberdade e construindo propostas. O antigo governo perseguia os sindicatos e atacava os trabalhadores diariamente.

A vitória de 2022 foi fruto de muita maturidade política. O presidente Lula entendeu que só seria possível vencer com uma frente ampla, unindo diferentes setores em torno de um projeto democrático. E foi essa união que virou a página mais sombria da nossa história recente.

Mas nós também precisamos reconhecer uma coisa: elegemos o presidente Lula, mas não elegemos o Congresso Nacional com a mesma força. Faltou elegermos mais deputados, senadores e governadores comprometidos com os programas do governo e com os direitos dos trabalhadores.

Por isso, companheiras e companheiros, o próximo passo está nas nossas mãos. O ano que vem é de eleição novamente, e nós precisamos, junto com a reeleição do presidente Lula, eleger parlamentares que representem de verdade os trabalhadores e o movimento sindical.

Chega de eleger “amigos dos trabalhadores” que, na hora da votação, se mostram mais amigos dos patrões. Nós precisamos colocar o movimento sindical dentro do Legislativo, porque é lá que as leis são feitas e é lá que se decide o futuro da classe trabalhadora.

Nós somos a maioria do povo brasileiro — mas não somos maioria nas Câmaras, nas Assembleias, nem no Senado. Isso precisa mudar. E só vai mudar se a gente levar esse debate para as bases, para os locais de trabalho, para as comunidades e para as nossas famílias.

Quero também falar sobre um tema muito importante: a transição justa, que está sendo discutida aqui na COP em Belém. A transição justa significa adaptar a economia e o trabalho às novas exigências ambientais e tecnológicas — mas sem deixar os trabalhadores para trás.

E aqui está um ponto crucial: sem a participação dos trabalhadores, a transição não será justa. Hoje, quem domina os espaços de decisão ainda são os grandes grupos econômicos. Enquanto isso, o trabalhador tem dificuldade até para entrar na chamada “zona azul” da COP. Isso mostra o quanto ainda precisamos lutar por espaço e voz.

Companheiras e companheiros, a transição justa precisa garantir emprego, renda, dignidade, respeito às comunidades e melhores condições de vida. E isso só vai acontecer se tivermos representantes nossos no Congresso Nacional. Caso contrário, as leis continuarão sendo feitas para atender o poder econômico — e não o povo trabalhador.

Vimos recentemente o Congresso derrubar decisões do presidente e aprovar medidas que prejudicam o trabalhador. Isso mostra o quanto o parlamento tem poder. Por isso, repito: não basta ter um governo progressista, precisamos também de um Legislativo comprometido com os trabalhadores.

Encerrando, quero deixar uma mensagem clara:
A unidade é a nossa maior força.
A participação política é o nosso dever.
E a representação sindical no parlamento é o nosso caminho para garantir um Brasil mais justo e solidário.

Vamos continuar firmes, lado a lado, para defender os direitos do nosso povo e construir um futuro melhor para todos.

Muito obrigado.

Leia também: Centrais sindicais levam Transição Justa ao centro da COP30

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