Menu

Mapa do site

Emissão de boleto

Nacional São Paulo

Emissão de boleto

Nacional São Paulo
2 JUL 2026

Imagem do dia

Veja fotos 7ª Sessão Plenária (Anistia Coletiva) da Comissão de Anistia

Imagem do dia - Força Sindical

Enviar link da notícia por e-mail

Artigos

A importância dos bancos públicos

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Artigos

A importância dos bancos públicos

Por: Paulo Kliass

Se o governo considera estratégico ter um algum controle sobre o comportamento das “livres forças de mercado” no ramo bancário, já passou da hora de reverter as formas de ação do BB e da CEF: taxas de juros menores, atendimento com a premissa da função pública e não da receita a qualquer custo, redução dos níveis de “spread” praticados, entre outras medidas.

Paulo Kliass

Apesar de muita gente ter ficado mais otimista com a decisão do COPOM em baixar a taxa de juros em sua última reunião, os efeitos sobre a economia real ainda não foram expressivos. Em 31 de agosto, a SELIC foi reduzida de 12,5% para 12,0%, revertendo uma tendência de altas da taxa que vinha se produzindo desde meados de 2009.

No entanto, a diminuição desse indicador que deveria servir como referencial para as taxas praticadas pelas instituições financeiras foi muito pouco relevante para os fins a que se propõe. O Brasil continua a oferecer os maiores índices de rentabilidade financeira do mundo, graças a esse patamar estratosférico da taxa oficial do governo. E com isso o custo do dinheiro aqui dentro é excessivamente elevado. Parcela significativa dos analistas não comprometidos com os interesses do sistema financeiro concorda em que a taxa deva ser reduzida para níveis próximos a 6% ao ano, o que ainda assim a colocaria bem acima dos valores praticados nos Estados Unidos, Europa e Japão, por exemplo. Esse, inclusive, é um dos principais argumentos há tempos levantado por setores da sociedade civil para que o Banco Central passe a levar em conta também a opinião de outros economistas em sua pesquisa mensal, como professores, pesquisadores, assessores de entidades sindicais, etc.

Até hoje, a tristemente famosa pesquisa “Focus” recolhe unicamente as opiniões das instituições financeiras, justamente as maiores interessadas na manutenção dos juros nas estrelas. O resultado desse jogo de cartas marcadas, a gente tem sentido na pele ao longo dos anos. Ou seja, a supremacia absoluta das finanças sobre o Brasil real.

Mas é importante lembrar aqui que não basta apenas reduzir a SELIC. Esse é, sem sombra de dúvida, o primeiro passo para um cenário de mudança, que privilegie a produção, a renda, o emprego. É o que se convencionou chamar de “condição necessária, mas não suficiente”. A redução de sua taxa oficial é um sinal para o conjunto do sistema financeiro e para a sociedade de que o governo pretende fazer com que a economia opere com taxas de juros mais baixas. Existe ainda um efeito secundário importante, pois isso reduz as despesas orçamentárias federais com o pagamento de juros e encargos da dívida pública. Porém, o mais importante é seu efeito esperado sobre a recuperação do investimento e de estímulo à atividade produtiva. E para isso é fundamental que os chamados agentes econômicos (empresas, famílias e indivíduos) sintam na ponta do sistema que as taxas de juros para os empréstimos também tenham sido reduzidas. E isso não tem ocorrido.

Infelizmente, nesse quesito também somos campeões mundiais. A sociedade brasileira encontra-se, digamos assim, em um estado quase de “dependência sócio-químico-cultural” de taxas elevadas de juros. A convivência durante décadas com esse nível de rentabilidade da atividade financeira faz com que a mesma seja vista como um fenômeno “normal”. E para romper com essa lógica perversa da financeirização, é essencial que o Estado intervenha de forma enérgica e ativa. Recursos e instituições o País possui em condições de cumprir a tarefa. O que parece faltar é a vontade política de reverter a tendência histórica de favorecer o parasitismo financeiro em detrimento da atividade produtiva, geradora de bens e serviços.

E aí os números continuam assustadores. A dimensão do setor bancário e financeiro é impressionante. As estatísticas que se seguem são oficiais, todas constantes da página do Banco Central [1] na internet. Na listagem dos maiores bancos operando no Brasil, há 3 bancos públicos entre os 5 maiores. Os ativos totais dos bancos atingiram, de acordo com os balanços do primeiro semestre desse ano, o valor de R$ 4,8 trilhões. Isso representa uma cifra superior ao nosso PIB, que fechou 2010 com R$ 3,8 tri. Banco do Brasil (BB), Caixa Econômica Federal (CEF) e BNDES apresentam ativos cujo valor equivale a 57% dos ativos dos 5 primeiros e a 38% do total do sistema. Assim, fica evidente que possuem um poder de fogo e de pressão nada desprezível sobre o modo de funcionamento dos demais – a chamada “concorrência”.

Caso os dados acima de patrimônio não sejam considerados tão relevantes, vejamos o que ocorre com a lucratividade do sistema financeiro. A cada semestre nossos bancos anunciam recordes em cima de recordes. Ao longo de 2010, o sistema registrou um lucro líquido consolidado de R$ 67 bilhões. Dado o nível de concentração dos conglomerados, apenas os 5 maiores lucraram o equivalente a R$ 53 bi. E a trinca dos públicos alcançou R$ 26 bi. Ou seja, apenas eles obtiveram 38% do lucro líquido de todo o sistema durante o ano passado. Vale a pena observar que o conceito de “lucro líquido” representa os ganhos depois de todas as possibilidades do chamado “planejamento tributário” diminuir contabilmente os ganhos realmente ocorridos. Se considerarmos o lucro bruto total, antes do pagamento de tributos e distribuição de dividendos, o conjunto do sistema bancário apresentou um resultado de R$ 89 bi em 2010.

Ao que tudo indica, a tendência para o ano atual é de manutenção da mesma performance dos exercícios anteriores. Os balanços de junho passado demonstram que os 3 bancos públicos atingiram um lucro líquido de R$ 14 bi, valor que continua representando os mesmo 38% do lucro líquido do conjunto do sistema. Não faz sentido algum os bancos do governo federal pautarem sua ação no mercado financeiro por essa ganância toda. Para que tanto lucro? O mais lamentável é que esses recursos acabam indo para formar o superávit primário da União. Ou seja, retornam ao mercado financeiro sob a forma de pagamento de juros da dívida pública da União.

Ora, a pergunta que não quer calar é óbvia: por que ao longo dos últimos 9 anos, desde a posse de Lula em 2003, os governos que teriam vindo para “mudar” não ousaram ter um mínimo de ação para alterar tal quadro? Afinal, felizmente, não se trata de um setor cujas empresas estatais federais tenham sido privatizadas anteriormente, como ocorreu em tantos outros. Elas sobreviveram preservando sua natureza pública e exercem peso importante no setor. Aqui o Estado e o governo federal têm instrumentos efetivos para atuar com peso e reverter tendências que sejam prejudiciais ao conjunto da sociedade.

Porém, ao contrário do que se poderia imaginar, a orientação conferida aos administradores do BB e da CEF [2] não caminhou no sentido de eliminar os aspectos negativos da financeirização radicalizada. As sucessivas direções das duas instituições, subordinadas ao Ministério da Fazenda, enfatizaram ainda mais a tendência anterior ao chamado processo de “bradesquização” – ou seja, de atuar no mercado bancário e financeiro seguindo as regras ditadas pelos bancos privados, cujo paradigma empresarial sempre foi representado pelo Bradesco e seus pares.

Com isso, pouco a pouco, essas instituições históricas acabam por perder o diferencial de “banco público” em sua ação no segmento bancário e passam a apostar no crescimento de seus resultados baseados na lógica de acumulação de capital a qualquer preço, típica dos agentes financeiros privados. As taxas de juros são semelhantemente elevadas, as onipresentes taxas por serviços prestados também e o mesmo ocorre com o escandoloso fenômeno do “spread” bancário. Na ponta, o cliente termina por não sentir muito a diferença entre ser correntista de um banco público ou de um privado. A sensação de exploração e impotência é a mesma.

Agora, se o governo considera estratégico ter um algum tipo de controle sobre a selvageria do comportamento das “livres forças de mercado” no ramo bancário e financeiro, já passou da hora de reverter as formas de ação do BB e da CEF. Caso sejam chamados a oferecer uma nova forma de relacionamento com a sociedade e a economia, todos sairão satisfeitos. Taxas de juros mais reduzidas, atendimento com as premissas da função pública e não da obtenção de receita a qualquer custo, redução dos níveis absurdos de “spread” praticados, entre outros. Além disso, dentre os vários aspectos positivos dessa mudança, obrigaria os bancos privados a também mudarem sua postura. Caso contrário, correrão o risco de perder espaço de negócios e clientela. Afinal, não é essa mesmo a tal “regra do mercado” que seus porta-vozes tanto apregoam?

[1] Ver: http://www4.bcb.gov.br/top50/port/top50.asp
[2] O BNDES é um caso especial,, pois não se trata de um banco comercial normal para correntistas. Assim, ele tende a operar apenas com empresas e com linhas de crédito do governo federal a juros subsidiados.


Paulo Kliass é Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental e doutor em Economia pela Universidade de Paris 10.

Nem reconstruir, nem reinventar: o sindicalismo deve resistir e cumprir sua missão histórica
Carolina Maria Ruy

Nem reconstruir, nem reinventar: o sindicalismo deve resistir e cumprir sua missão histórica

Acontecimento relevante
João Guilherme Vargas Netto

Acontecimento relevante

A fortaleza do sindicato
Eusébio Pinto Neto

A fortaleza do sindicato

Saúde mental: responsabilidade de todos
Sérgio Luiz Leite, Serginho

Saúde mental: responsabilidade de todos

Dignidade, equilíbrio e respeito!
Gleberson Jales

Dignidade, equilíbrio e respeito!

Etarismo na Lapa: quando a conveniência expulsa o direito ao acolhimento
Andréa Gato

Etarismo na Lapa: quando a conveniência expulsa o direito ao acolhimento

Consignado CLT: crédito fácil, juros abusivos e a falta de controle que penaliza o trabalhador
Nilton Souza da Silva, o Neco

Consignado CLT: crédito fácil, juros abusivos e a falta de controle que penaliza o trabalhador

A importância dos trabalhadores na indústria da fabricação do etanol e o papel estratégico das organizações sindicais laborais
José Roberto da Cunha

A importância dos trabalhadores na indústria da fabricação do etanol e o papel estratégico das organizações sindicais laborais

Proteger os sindicatos é proteger o trabalhador; por João Carlos (Juruna)
João Carlos Gonçalves, (Juruna)

Proteger os sindicatos é proteger o trabalhador; por João Carlos (Juruna)

Decisão final do STF sobre o Tema 935 (contribuição assistencial)
César Augusto de Mello

Decisão final do STF sobre o Tema 935 (contribuição assistencial)

Energia, Trabalho e Soberania: o Brasil que queremos construir
Eduardo Annunciato, Chicão

Energia, Trabalho e Soberania: o Brasil que queremos construir

Dois anos sem João Inocentini
Milton Cavalo

Dois anos sem João Inocentini

Metalúrgicos em Ação
Josinaldo José de Barros (Cabeça)

Metalúrgicos em Ação

Centrais sindicais debatem tarifaço com ministro da Indústria
Força 31 JUL 2026

Centrais sindicais debatem tarifaço com ministro da Indústria

Apostar online? A conta pode ser mais cara do que você imagina
Força 31 JUL 2026

Apostar online? A conta pode ser mais cara do que você imagina

SISPESP e CCM-IAMSPE fortalecem parceria pelos servidores
Força 31 JUL 2026

SISPESP e CCM-IAMSPE fortalecem parceria pelos servidores

Miguel e Serginho debatem fortalecimento do movimento sindical
Força 31 JUL 2026

Miguel e Serginho debatem fortalecimento do movimento sindical

Força Sindical Bahia promove encontro de integração sindical
Força 31 JUL 2026

Força Sindical Bahia promove encontro de integração sindical

FEQUIMFAR reforça luta por segurança em ato em Itatiba
Força 31 JUL 2026

FEQUIMFAR reforça luta por segurança em ato em Itatiba

Encontro dos Metalúrgicos SP reforça prevenção e saúde bucal
Força 30 JUL 2026

Encontro dos Metalúrgicos SP reforça prevenção e saúde bucal

Papeleiros fortalecem mobilização em encontro nacional
Força 30 JUL 2026

Papeleiros fortalecem mobilização em encontro nacional

Encontro fortalece atuação das Cipas pela segurança no trabalho
Força 30 JUL 2026

Encontro fortalece atuação das Cipas pela segurança no trabalho

Encontro nacional promove debate sobre calor e saúde do trabalhador
Força 30 JUL 2026

Encontro nacional promove debate sobre calor e saúde do trabalhador

Sintrabor destaca 35 anos da Lei de Cotas
Força 30 JUL 2026

Sintrabor destaca 35 anos da Lei de Cotas

SinSaúdeSP e Coren-SP celebram conquista histórica
Força 30 JUL 2026

SinSaúdeSP e Coren-SP celebram conquista histórica

FGTS distribuirá R$ 13 bilhões em lucros aos trabalhadores
Força 30 JUL 2026

FGTS distribuirá R$ 13 bilhões em lucros aos trabalhadores

Metalúrgicos SP ampliam mobilização pela redução da jornada
Força 29 JUL 2026

Metalúrgicos SP ampliam mobilização pela redução da jornada

Sindicato dos Químicos de Rio Claro celebra 63 anos
Força 29 JUL 2026

Sindicato dos Químicos de Rio Claro celebra 63 anos

Metalúrgicos de Osasco debatem jornada e Previdência em ciclo de debates
Força 29 JUL 2026

Metalúrgicos de Osasco debatem jornada e Previdência em ciclo de debates

Sindicatos debatem futuro das concessões da Enel
Força 29 JUL 2026

Sindicatos debatem futuro das concessões da Enel

SESC e Sindnapi fortalecem parceria no Espírito Santo
Força 29 JUL 2026

SESC e Sindnapi fortalecem parceria no Espírito Santo

Associados participam do tradicional bingo do Sindnapi
Força 29 JUL 2026

Associados participam do tradicional bingo do Sindnapi

Frentistas do RJ rejeitam proposta patronal sem ganho real
Força 29 JUL 2026

Frentistas do RJ rejeitam proposta patronal sem ganho real

Frentistas reforçam mobilização antes de nova rodada de negociação
Força 28 JUL 2026

Frentistas reforçam mobilização antes de nova rodada de negociação

Sinttrar promove corrida contra pedágio na BR-364
Força 28 JUL 2026

Sinttrar promove corrida contra pedágio na BR-364

Sindicato reforça atuação nas bases dos eletricitários
Força 28 JUL 2026

Sindicato reforça atuação nas bases dos eletricitários

Diretoria dos metalúrgicos SP planeja mobilizações e campanha salarial
Força 28 JUL 2026

Diretoria dos metalúrgicos SP planeja mobilizações e campanha salarial

Metalúrgicos SP promovem evento do Julho Verde na quinta-feira
Força 28 JUL 2026

Metalúrgicos SP promovem evento do Julho Verde na quinta-feira

Indústria impulsiona geração de empregos em Guarulhos
Força 27 JUL 2026

Indústria impulsiona geração de empregos em Guarulhos

Força Sindical RJ reforça luta pelo fim da escala 6×1
Força 27 JUL 2026

Força Sindical RJ reforça luta pelo fim da escala 6×1

Sintracon-SP promove Campeonato de Dominó com premiação
Força 27 JUL 2026

Sintracon-SP promove Campeonato de Dominó com premiação

Campanha do etanol amplia acordos e garante avanços salariais
Força 24 JUL 2026

Campanha do etanol amplia acordos e garante avanços salariais

Encontro fortalece diálogo entre sindicatos e Ministério
Força 24 JUL 2026

Encontro fortalece diálogo entre sindicatos e Ministério

Aguarde! Carregando mais artigos...