Menu

Mapa do site

Emissão de boleto

Nacional São Paulo

Emissão de boleto

Nacional São Paulo
2 JUL 2026

Imagem do dia

Veja fotos 7ª Sessão Plenária (Anistia Coletiva) da Comissão de Anistia

Imagem do dia - Força Sindical

Enviar link da notícia por e-mail

Artigos

Metalúrgicos de Osasco: uma história de luta

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Artigos

Metalúrgicos de Osasco: uma história de luta

Por: Miguel Padilha

Até o início da década de 1960 Osasco era um bairro da cidade de São Paulo e seus metalúrgicos eram representados pelo Sindicato de São Paulo. Mas, no início da década de 1950, com intenso crescimento comercial e demográfico a região já possuía uma dinâmica própria. Há, por exemplo, registros da atuação dos Metalúrgicos de Osasco em 1953, na greve dos 300 mil, e em 1957, na greve da Cobrasma.

Naquela época, a forte pressão pela emancipação de Osasco envolvia, além dos trabalhadores e dirigentes da subsede do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, estudantes, empresários, comerciantes e associações de bairro.
Desta forma a fundação do município osasquense, em 19 de fevereiro de 1962, se deu entrelaçada à luta dos trabalhadores. O que era subsede conquista autonomia e a história oficial do Sindicato começa em 23 de julho de 1963.
Por força da conjuntura nacional, entretanto, a primeira diretoria, composta por Conrado del Papa na presidência, Lino F. dos Santos na secretaria geral e Fortunato Facchini, na tesouraria, duraria menos de um ano, sofrendo o golpe da instauração da ditadura militar em 1964.

Anos de chumbo
Reprimir o movimento sindical foi uma das primeiras manobras do golpe militar. O Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região ficou sob intervenção de 1964 até julho de 1965 e a direção recém eleita foi destituída. Em junho de 1965, a despeito da intervenção, Henos Amorina foi eleito presidente do Sindicato. Novas eleições só viriam a ocorrer em 1967.
Descontentamento e questionamentos à ditadura deram o tom do ano de 1967. Com sua política de recessão e seus Atos Institucionais cada vez mais arbitrários os militares não conseguiam mais camuflar a violenta lógica repressiva adotada como política nacional. Neste contexto cresceram as “oposições sindicais”. E no Sindicato de Osasco a oposição à ditadura foi vitoriosa.
Chapa de oposição
Não foram questões ideológicas que incitaram as massas de trabalhadores a se organizarem em torno de grupos de contestação ao regime. É mais realista afirmar que o caminho foi inverso: questões práticas abriram os olhos dos trabalhadores para as maleficências da execução daquela ideologia neoliberal. Ou seja, a retração do poder aquisitivo dos trabalhadores, resultante do projeto econômico atrelado ao capital estrangeiro e comprometido com dívidas e inflação, adotado pelos militares, provocou reações contra a ordem. Sem aumento real a perda dos trabalhadores, no cálculo da inflação, de acumulava ano a ano.
Na década de 1960, com sindicatos ameaçados ou sob intervenção, começaram a surgir as comissões de fábrica, permitindo que os trabalhadores se unissem pela base a partir do próprio local de trabalho.
No Brasil a primeira comissão de fábrica, a da Cobrasma, surgiu em Osasco, organizada pelo metalúrgico José Ibrahim, do grupo de esquerda, com apoio de grupos de origem cristã progressista como a Ação Popula (AP) e a Frente Nacional do Trabalho (FNT). Naquela comissão de fábrica os grupos e lideranças afinavam o discurso e planejavam ações.
O crescimento da revolta dos trabalhadores contra o regime fortalecia a comissão, na medida em que ela era ativa e combativa. Tal situação se refletiu na eleição da chapa da Cobrasma para a direção do Sindicato de Osasco em 1967. A “chapa de oposição”, que vencia as eleições de 67, possuía uma postura radical, defendendo o direito de greve, as liberdades sindicais e o fim do arrocho salarial. Ibrahim foi eleito presidente e o Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco se tornava pólo de resistência, oposição política e de uma nova concepção de ação sindical.
O MIA
A luta de classes se estabelecia no país e, em outubro de 1967, mais de 40 dos principais Sindicatos do Estado de São Paulo conceberam o Movimento Inter-Sindical Anti-Arrocho (MIA), projetando ações que culminariam com a realização de um ato pró trabalhadores no dia 1º de Maio de 1968.
A postura radical de Ibrahim, para quem o ato deveria ser uma manifestação combativa e não condescendente com os patrões, como foram as festas do dia do trabalho de 1964 até então, chamou a atenção do Ministro Coronel Jarbas Passarinho, que ameaçou o Sindicato de nova intervenção. Tais conflitos internos desdobraram-se na dissolução do MIA, tendo sido criada uma comissão para se ocupar da organização do 1º de Maio.
O 1º de maio de 68
Abril de 1968: o mundo estava em franca ebulição social. No Brasil o movimento estudantil vivia o seu auge e o movimento operário e sindical, além de todas as manifestações do MIA, saboreava a vitória da greve de Contagem. Em Osasco o clima era de euforia e medo pelas medidas que poderiam ser tomadas pelo Ministério do Trabalho.
Este foi o cenário da preparação do 1º de Maio de 68, na Praça da Sé, em São Paulo. Mais de 20 mil pessoas se reuniram no ato, mas a presença do governador Abreu Sodré provocou a revolta dos operários e militantes de base. O ato, que foi marcado por brigas e agitações, repercutiu em todo o país.
Tal repercussão se deu especialmente no pólo industrial de Osasco, onde o nível de organização já atinava para realização de uma greve.
A greve de Osasco
Em abril daquele ano ocorrera a famosa greve de Contagem (Região Metropolitana de Belo Horizonte, MG), que ensaiou travar negociações, mas acabou sendo reprimida com extrema violência. O MIA, Contagem e o 1º de Maio ferviam em um mesmo caldeirão. Era claro que a repressão se enrijecia, mas seria muito difícil evitar a greve em Osasco dado o avanço das mobilizaçãos e a intensidade da revolta dos seus trabalhadores naquele momento.
Desta forma, às 9h da manhã de 16 de julho de 1968, a paralisação se iniciava a partir da fábrica da Cobrasma. A greve, que ocorreu conforme um planejamento detalhado, teve adesão em massa dos trabalhadores. Como se os militares já estivessem esperando por isso, naquela mesma hora o Conselho de Segurança Nacional se reuniu para decidir se decretaria “estado de sítio” no país.
A situação era peculiar, pois o sindicato de Osasco assumiu a postura mais radical até então assumida contra os militares. Sem prévias negociações ou tentativas de contenção, o Ministério do Trabalho decretou a intervenção no Sindicato de Osasco acionando cerco policial, invasão das fábricas e prisões dos grevistas. A repressão foi intensa e brutal. Após o terceiro dia de repressão os trabalhadores sitiados e sem lideranças viram-se forçados à voltarem ao trabalho.
Mas talvez naquele momento ainda não fosse tão claro que aquela greve representaria a mola propulsora do renascimento do movimento sindical brasileiro.
O legado da greve
A organização dos trabalhadores pela base, a democratização dos sindicatos, a liberdade, autonomia e a firmeza da ação sindical, enfatizados na greve de Osasco de 1968, marcaram o Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco como um dos mais combativos do Brasil. Tratou-se de romper com nada menos que os limites impostos pela ditadura. Naquele julho de 1968 o Sindicato cumpriu um papel político imprescindível para o avanço das lutas pela democracia.
Dez anos depois, em 1978, estas lições fizeram a diferença no novo sindicalismo que emergia em todo o país. É por tudo isso que seus protagonistas “fariam tudo outra vez”.
__________________
Milton Baptista de Souza (Cavalo) é Secretário de Cultura e Memória Sindical da Força Sindical, Presidente do Centro de Memória Sindical e Diretor Tesoureiro do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região

Nem reconstruir, nem reinventar: o sindicalismo deve resistir e cumprir sua missão histórica
Carolina Maria Ruy

Nem reconstruir, nem reinventar: o sindicalismo deve resistir e cumprir sua missão histórica

Acontecimento relevante
João Guilherme Vargas Netto

Acontecimento relevante

A fortaleza do sindicato
Eusébio Pinto Neto

A fortaleza do sindicato

Saúde mental: responsabilidade de todos
Sérgio Luiz Leite, Serginho

Saúde mental: responsabilidade de todos

Dignidade, equilíbrio e respeito!
Gleberson Jales

Dignidade, equilíbrio e respeito!

Etarismo na Lapa: quando a conveniência expulsa o direito ao acolhimento
Andréa Gato

Etarismo na Lapa: quando a conveniência expulsa o direito ao acolhimento

Consignado CLT: crédito fácil, juros abusivos e a falta de controle que penaliza o trabalhador
Nilton Souza da Silva, o Neco

Consignado CLT: crédito fácil, juros abusivos e a falta de controle que penaliza o trabalhador

A importância dos trabalhadores na indústria da fabricação do etanol e o papel estratégico das organizações sindicais laborais
José Roberto da Cunha

A importância dos trabalhadores na indústria da fabricação do etanol e o papel estratégico das organizações sindicais laborais

Proteger os sindicatos é proteger o trabalhador; por João Carlos (Juruna)
João Carlos Gonçalves, (Juruna)

Proteger os sindicatos é proteger o trabalhador; por João Carlos (Juruna)

Decisão final do STF sobre o Tema 935 (contribuição assistencial)
César Augusto de Mello

Decisão final do STF sobre o Tema 935 (contribuição assistencial)

Energia, Trabalho e Soberania: o Brasil que queremos construir
Eduardo Annunciato, Chicão

Energia, Trabalho e Soberania: o Brasil que queremos construir

Dois anos sem João Inocentini
Milton Cavalo

Dois anos sem João Inocentini

Metalúrgicos em Ação
Josinaldo José de Barros (Cabeça)

Metalúrgicos em Ação

Centrais sindicais debatem tarifaço com ministro da Indústria
Força 31 JUL 2026

Centrais sindicais debatem tarifaço com ministro da Indústria

Apostar online? A conta pode ser mais cara do que você imagina
Força 31 JUL 2026

Apostar online? A conta pode ser mais cara do que você imagina

SISPESP e CCM-IAMSPE fortalecem parceria pelos servidores
Força 31 JUL 2026

SISPESP e CCM-IAMSPE fortalecem parceria pelos servidores

Miguel e Serginho debatem fortalecimento do movimento sindical
Força 31 JUL 2026

Miguel e Serginho debatem fortalecimento do movimento sindical

Força Sindical Bahia promove encontro de integração sindical
Força 31 JUL 2026

Força Sindical Bahia promove encontro de integração sindical

FEQUIMFAR reforça luta por segurança em ato em Itatiba
Força 31 JUL 2026

FEQUIMFAR reforça luta por segurança em ato em Itatiba

Encontro dos Metalúrgicos SP reforça prevenção e saúde bucal
Força 30 JUL 2026

Encontro dos Metalúrgicos SP reforça prevenção e saúde bucal

Papeleiros fortalecem mobilização em encontro nacional
Força 30 JUL 2026

Papeleiros fortalecem mobilização em encontro nacional

Encontro fortalece atuação das Cipas pela segurança no trabalho
Força 30 JUL 2026

Encontro fortalece atuação das Cipas pela segurança no trabalho

Encontro nacional promove debate sobre calor e saúde do trabalhador
Força 30 JUL 2026

Encontro nacional promove debate sobre calor e saúde do trabalhador

Sintrabor destaca 35 anos da Lei de Cotas
Força 30 JUL 2026

Sintrabor destaca 35 anos da Lei de Cotas

SinSaúdeSP e Coren-SP celebram conquista histórica
Força 30 JUL 2026

SinSaúdeSP e Coren-SP celebram conquista histórica

FGTS distribuirá R$ 13 bilhões em lucros aos trabalhadores
Força 30 JUL 2026

FGTS distribuirá R$ 13 bilhões em lucros aos trabalhadores

Metalúrgicos SP ampliam mobilização pela redução da jornada
Força 29 JUL 2026

Metalúrgicos SP ampliam mobilização pela redução da jornada

Sindicato dos Químicos de Rio Claro celebra 63 anos
Força 29 JUL 2026

Sindicato dos Químicos de Rio Claro celebra 63 anos

Metalúrgicos de Osasco debatem jornada e Previdência em ciclo de debates
Força 29 JUL 2026

Metalúrgicos de Osasco debatem jornada e Previdência em ciclo de debates

Sindicatos debatem futuro das concessões da Enel
Força 29 JUL 2026

Sindicatos debatem futuro das concessões da Enel

SESC e Sindnapi fortalecem parceria no Espírito Santo
Força 29 JUL 2026

SESC e Sindnapi fortalecem parceria no Espírito Santo

Associados participam do tradicional bingo do Sindnapi
Força 29 JUL 2026

Associados participam do tradicional bingo do Sindnapi

Frentistas do RJ rejeitam proposta patronal sem ganho real
Força 29 JUL 2026

Frentistas do RJ rejeitam proposta patronal sem ganho real

Frentistas reforçam mobilização antes de nova rodada de negociação
Força 28 JUL 2026

Frentistas reforçam mobilização antes de nova rodada de negociação

Sinttrar promove corrida contra pedágio na BR-364
Força 28 JUL 2026

Sinttrar promove corrida contra pedágio na BR-364

Sindicato reforça atuação nas bases dos eletricitários
Força 28 JUL 2026

Sindicato reforça atuação nas bases dos eletricitários

Diretoria dos metalúrgicos SP planeja mobilizações e campanha salarial
Força 28 JUL 2026

Diretoria dos metalúrgicos SP planeja mobilizações e campanha salarial

Metalúrgicos SP promovem evento do Julho Verde na quinta-feira
Força 28 JUL 2026

Metalúrgicos SP promovem evento do Julho Verde na quinta-feira

Indústria impulsiona geração de empregos em Guarulhos
Força 27 JUL 2026

Indústria impulsiona geração de empregos em Guarulhos

Força Sindical RJ reforça luta pelo fim da escala 6×1
Força 27 JUL 2026

Força Sindical RJ reforça luta pelo fim da escala 6×1

Sintracon-SP promove Campeonato de Dominó com premiação
Força 27 JUL 2026

Sintracon-SP promove Campeonato de Dominó com premiação

Campanha do etanol amplia acordos e garante avanços salariais
Força 24 JUL 2026

Campanha do etanol amplia acordos e garante avanços salariais

Encontro fortalece diálogo entre sindicatos e Ministério
Força 24 JUL 2026

Encontro fortalece diálogo entre sindicatos e Ministério

Aguarde! Carregando mais artigos...