Menu

Mapa do site

Emissão de boleto

Nacional São Paulo

Emissão de boleto

Nacional São Paulo
8 OUT 2025

Imagem do dia

Seminário Pré-COP30; FOTOS

Imagem do dia - Força Sindical

Enviar link da notícia por e-mail

Direitos Humanos e Cidadania

Jornalista pesquisa violência rural após morte de ativistas na Amazônia

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Direitos Humanos e Cidadania

Jornalista pesquisa violência rural após morte de ativistas na Amazônia

Felipe Milanez viu episódios de conflito aumentarem 75% em dez anos
AmazôniaCrédito: Divulgação

Era 2010 e o jornalista gaúcho Felipe Milanez preparava uma série de reportagens sobre desmatamento e carvão ilegal para uma organização internacional ambientalista. Durante o trabalho, conheceu o extrativista José Cláudio Ribeiro da Silva e sua companheira, Maria do Espírito Santo Silva. O casal, que acumulava um longo histórico de lutas contra madeireiros ilegais, foi assassinado em uma emboscada no ano seguinte. Chocado, Milanez decidiu trocar o bloco de notas pela militância contra a devastação da Amazônia. E, agora, transformou-se em uma influente voz na denúncia aos conflitos no campo.

As estatísticas da Comissão Pastoral da Terra, criada para dar assistência a trabalhadores rurais, mostram a escalada da violência rural. Episódios violentos no campo aumentaram 75% em uma década, passando de 615 em 2007 para 1.079 no ano passado. Estima-se que, entre janeiro e novembro deste ano, pelo menos 64 pessoas morreram nesses conflitos, maior índice desde 2003, quando foram contabilizados 71 assassinatos. Boa parte desses crimes estão relacionados a questões ambientais. O Brasil é atualmente o país com a maior quantidade de assassinatos de ambientalistas no mundo, segundo relatório da ONG britânica Global Witness.

Milanez, agora com 39 anos, é professor de Descolonização do Conhecimento, Sociedade e Ambiente da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, e colaborador de relatórios internacionais sobre conflitos no campo, como o da fundação norueguesa Rainforest. Também está articulando no Pará a rede brasileira da ONG Not1More, que combate a violência contra ambientalistas no mundo, já atuante na África e no Sudeste asiático. Em junho, organizou uma conferência na Universidade de Oxford (Reino Unido) sobre defensores da floresta.

— Eu me aproximei muito do Zé Cláudio e da Maria. Indiquei-os para ministrar uma palestra sobre a Amazônia, onde poderiam falar sobre as ameaças que sofriam — recorda Milanez. — Foram mortes muito brutais. Migrei do jornalismo para a pesquisa para compreender este tema de uma forma mais analítica. Denunciar na imprensa como eu vinha fazendo não foi suficiente para salvá-los. Queria pensar em como agir contra essa violência estúpida.

O pesquisador define o ambientalismo como “uma das críticas mais poderosas a projetos de desenvolvimento predatórios”. Por isso, os ativistas são tão visados.

— Os ataques já foram vistos de forma isolada. Foi assim com Chico Mendes, a hondurenha Beta Cáceres, o nigeriano Ken Saro-Wiwa. Hoje, são encarados em conjunto. O movimento de justiça ambiental cresceu e conseguimos aprimorar o mapeamento dos conflitos. A violência não é restrita a ativistas famosos. Há muitas vítimas desconhecidas, principalmente negros e indígenas. A injustiça caminha ao lado do racismo.

DENÚNCIA POR WHATSAPP

Circulando entre os corredores da universidade baiana e da de Coimbra, em Portugal, onde escreveu sua tese de doutorado sobre violência na Amazônia, Milanez nunca foi ameaçado, mas teme pela vida de suas fontes na região. Recebe imagens no WhatsApp de despejos de ambientalistas. Também acompanhou relatos sobre a invasão de um seminário na Universidade Federal do Pará (UFPA) que discutiria os danos provocados pela mineração no Rio Xingu. Segundo a UFPA, o prefeito de São José do Perfírio, Dirceu Biancardi, acompanhado de cerca de 40 pessoas, impediu as palestras e ofendeu pesquisadores. O secretário municipal de Administração, Valmiro Moura, afirmou ao GLOBO que houve um “mal entendido” e que Biancardi apenas queria demonstrar “apoio a lideranças comunitárias”.

— Se eles conseguem manifestar este poder na capital de um estado, imagine como é no interior . Ainda que o Ibama faça operações heróicas no campo, mostrando algum sinal de presença do Estado, há uma pressão política muito grande contra a lei no campo. É uma crise institucional, que piorou muito nos últimos dois anos. Quem denuncia está se expondo às máfias.

Para Milanez, a bancada ruralista no Congresso incentiva a invasão de terras indígenas. Cita como exemplo a CPI da Fundação Nacional do Índio (Funai), controlada pelo grupo, que em maio finalizou seus trabalhos pedindo o indiciamento de 67 pessoas, entre lideranças comunitárias, antropólogos e servidores:

— A conclusão foi criminalizar índios e quilombolas. Expor essas pessoas desse jeito é dizer que, se forem assassinadas, trata-se de um processo legitimado. Todos os setores contrários aos ambientalistas receberam carta branca para matar. A polícia é desleixada. Muitas vezes a fiscalização é realizada por funcionários da Funai e do Ibama, que usam o próprio dinheiro para comprar gasolina e se deslocar pela floresta.

Mesmo diante de tantos revezes, Milanez acredita em melhorias a longo prazo:

— Nos próximos anos, a situação deve se manter: ativistas, líderes comunitários, membros de ONGs ficarão recolhidos, com medo de serem assassinados. A ordem é sobreviver para mudar. No entanto, alguns movimentos estão surgindo, como articulações entre quilombolas, além de novos antropólogos. A distinção entre cidade e campo está ruindo, aumentando a pressão política para reduzir a violência rural.
 

Fonte: O Globo

Últimas de Direitos Humanos e Cidadania

Todas de Direitos Humanos e Cidadania
Centrais ampliam mobilização pela jornada de 40 horas
Força 1 JUN 2026

Centrais ampliam mobilização pela jornada de 40 horas

Metalúrgicos SP mantém mobilização por jornada de 40 horas e fim da escala 6×1
Força 1 JUN 2026

Metalúrgicos SP mantém mobilização por jornada de 40 horas e fim da escala 6×1

Para Cláudio Janta, fim da escala 6×1 e redução da jornada geram empregos e melhoram a qualidade de vida
Força 1 JUN 2026

Para Cláudio Janta, fim da escala 6×1 e redução da jornada geram empregos e melhoram a qualidade de vida

SinSaúdeSP garante abono de 12% para trabalhadores da ASF
Força 1 JUN 2026

SinSaúdeSP garante abono de 12% para trabalhadores da ASF

SinSaúdeSP garante indenização no Leforte Liberdade
Força 1 JUN 2026

SinSaúdeSP garante indenização no Leforte Liberdade

Tabela salarial no papel e ganho real no bolso
Força 1 JUN 2026

Tabela salarial no papel e ganho real no bolso

STF retoma em junho julgamento sobre vínculo em aplicativos
Força 1 JUN 2026

STF retoma em junho julgamento sobre vínculo em aplicativos

Líder sindical reforça a importância da luta no Senado
Força 29 MAI 2026

Líder sindical reforça a importância da luta no Senado

Greve é suspensa e eletricitários mantêm mobilização
Força 29 MAI 2026

Greve é suspensa e eletricitários mantêm mobilização

Conferência de Saúde mobiliza sociedade em Joinville
Força 29 MAI 2026

Conferência de Saúde mobiliza sociedade em Joinville

SMC News debate impactos da nova NR-1 no trabalho
Força 29 MAI 2026

SMC News debate impactos da nova NR-1 no trabalho

FEQUIMFAR realiza seminário sobre NRs na prática sindical
Força 29 MAI 2026

FEQUIMFAR realiza seminário sobre NRs na prática sindical

Sindicalista reforça pressão por jornada de 40 horas
Força 29 MAI 2026

Sindicalista reforça pressão por jornada de 40 horas

Centrais definem mobilização no Senado pela jornada de 40 horas
Força 29 MAI 2026

Centrais definem mobilização no Senado pela jornada de 40 horas

Metalúrgicos SP ampliam luta pela jornada de 40 horas
Força 28 MAI 2026

Metalúrgicos SP ampliam luta pela jornada de 40 horas

Miguel Torres pede mobilização após vitória na Câmara
Força 28 MAI 2026

Miguel Torres pede mobilização após vitória na Câmara

Vitória! Centrais Sindicais celebram redução da jornada e fim da escala 6×1
Força 27 MAI 2026

Vitória! Centrais Sindicais celebram redução da jornada e fim da escala 6×1

Químicos da Força acompanham visita de Alckmin à Whirlpool
Força 27 MAI 2026

Químicos da Força acompanham visita de Alckmin à Whirlpool

Unicamp reuniu lideranças pela jornada de 40 horas
Força 27 MAI 2026

Unicamp reuniu lideranças pela jornada de 40 horas

PEC da jornada menor avança na Câmara nessa semana
Força 26 MAI 2026

PEC da jornada menor avança na Câmara nessa semana

Cartilha reforça direitos da pessoa idosa no RS
Força 26 MAI 2026

Cartilha reforça direitos da pessoa idosa no RS

Jornada menor e fim da escala 6×1 ampliam a dignidade do trabalhador
Palavra do Presidente 26 MAI 2026

Jornada menor e fim da escala 6×1 ampliam a dignidade do trabalhador

Sindnapi amplia cidadania no interior do Amazonas
Força 26 MAI 2026

Sindnapi amplia cidadania no interior do Amazonas

Setor elétrico entra em alerta e ameaça greve geral
Força 26 MAI 2026

Setor elétrico entra em alerta e ameaça greve geral

Sintrabor vê proposta da Prometeon longe das demandas
Força 26 MAI 2026

Sintrabor vê proposta da Prometeon longe das demandas

Sindec-POA amplia mobilização pelo fim da escala 6×1
Força 26 MAI 2026

Sindec-POA amplia mobilização pelo fim da escala 6×1

Centrais Sindicais saúdam entendimento sobre redução da jornada
Força 25 MAI 2026

Centrais Sindicais saúdam entendimento sobre redução da jornada

Transição para jornada de 40 horas terá prazo de um ano
Imprensa 25 MAI 2026

Transição para jornada de 40 horas terá prazo de um ano

Brinquedos: Sindbrinq rejeita primeira proposta patronal
Força 25 MAI 2026

Brinquedos: Sindbrinq rejeita primeira proposta patronal

Eletricitários de SP mantêm mobilização e dia 28 pode começar greve
Força 25 MAI 2026

Eletricitários de SP mantêm mobilização e dia 28 pode começar greve

Aguarde! Carregando mais artigos...