Menu

Mapa do site

Emissão de boleto

Nacional São Paulo

Emissão de boleto

Nacional São Paulo
8 OUT 2025

Imagem do dia

Seminário Pré-COP30; FOTOS

Imagem do dia - Força Sindical

Enviar link da notícia por e-mail

Artigos

A importância da tecnologia social

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Artigos

A importância da tecnologia social

Ciência, tecnologia e inovação são áreas em que, muitas das vezes, o gasto público deve ser encarado como investimento a fundo perdido e onde não cabe a aplicação da contabilidade restritiva de “retorno a curto prazo”. Os ganhos para o conjunto da sociedade com os resultados desse tipo de investimento são geracionais, de longo prazo.
Por: Paulo Kliass

A proximidade das eleições municipais traz para o centro do debate alguns aspectos que são recorrentes para a grande maioria da população, em especial para aqueles que moram nas capitais e nas grandes cidades de nosso País. De acordo com o, levantamento dos órgãos especializados, alguns dos assuntos considerados prioritários pelos eleitores são os seguintes: i) saúde; ii) educação; iii) violência; iv) transportes.

Outros temas, igualmente presentes na lista dos mais importantes, não são abordados com tanta ênfase no debate eleitoral, uma vez que sua órbita de decisão escapa ao domínio de competência jurídica e institucional dos prefeitos e vereadores. Seria o caso da taxa de juros, da previdência social, de medidas de comércio exterior, entre outros. Como nossa Constituição determina que são elementos de tratamento exclusivo pela União, em anos de eleições municipais não se vislumbra possibilidade de mudança em tais domínios.

Ciência, tecnologia e inovação: pouco espaço na agenda
Porém, há um conjunto de outros assuntos de extrema relevância que não entram nem mesmo na pauta da política em tempos de voto para a Presidência da República e para os integrantes do Congresso Nacional. Um exemplo típico é o trinômio “ciência, tecnologia e inovação” (C, T & I), que tende a ser relegado a segundo ou terceiro planos, apesar de ser elemento essencial para qualquer debate a respeito de um projeto de nação. Ao que tudo indica, há uma grande resistência política em incorporar esses temas ao conjunto de políticas públicas. A lógica do resultado a curto prazo acaba prevalecendo, meio na base do ditado popular de que “vale mais a pena inaugurar ponte e estrada do que obra de saneamento”, pois os canos estão enterrados e não dão visibilidade para o governo de plantão. Uma tristeza de lógica e de racionalidade políticas, em que o bom desempenho eleitoral do candidato dependeria apenas dessa avaliação de uma boa “gestão de obras”. Mas que termina por comprometer a capacidade do País em solucionar gargalos importantes nas suas estruturas sociais e econômicas.

A lógica subjacente ao tratamento que merece ser conferido ao C, T & I é bastante específica. Por se tratar de uma área de despesa pública diferenciada, ela não pode ser submetida aos mesmos critérios de avaliação utilizados pelo setor privado e nem mesmo pelos demais setores do orçamento. Ciência, tecnologia e inovação são áreas em que, muitas das vezes, o gasto público deve ser encarado como investimento a fundo perdido e onde não cabe a aplicação da contabilidade restritiva de “retorno a curto prazo”. Os ganhos para o conjunto da sociedade com os resultados desse tipo de investimento são geracionais, de longo prazo.

Quando se menciona os temas de C, T & I, normalmente imaginamos o s assuntos de elevada complexidade teórica e de alta sofisticação operacional. Somos remetidos tanto aos ramos de pesquisa científica de vanguarda, quanto às descobertas em andamento nas áreas de fronteira do conhecimento e da inovação. Obviamente, são setores de importância estratégica e o Brasil não pode ficar em posição retardatária no domínio dos mesmos. Os volumes de investimento requeridos são expressivos e os eventuais resultados positivos tendem a demorar bastante para se apresentarem. Porém, há um conjunto amplo de setores e ações a serem desenvolvidas nesse domínio que implicam outro tipo de relação entre os agentes envolvidos com a produção de conhecimento, de produtos e de serviços na área. Trata-se da chamada “tecnologia social”.

Tecnologia social: uma necessidade nacional
O assunto é sensível e polêmico, comportando diferentes tipos de abordagem e de definição. De qualquer forma, até mesmo a estrutura do Estado reconhece a particularidade do enfoque: o próprio ministério setorial mantém em sua estrutura uma secretaria que se ocupa de “Ciência e Tecnologia para Inclusão Social”. Assim, pode-se perceber uma certa elasticidade na abrangência do conceito: desde a simples preocupação com o caráter social da utilização da tecnologia gerada até uma abordagem em que o processo de produção da tecnologia tenha em si mesmo incorporado a preocupação com a dimensão social.

Em termos concretos, temos uma série de exemplos em que o conceito de tecnologia social proporciona ganhos expressivos para a sociedade brasileira. E isso vai desde a mera recuperação de saberes tradicionais até a apropriação de conhecimento popular em grau de maior elaboração científica. Assim, priorizar a tecnologia social como política pública pode significar a opção por um processo científico que seja gerador de maior nível de emprego do que outro eventualmente mais sofisticado e de vanguarda na pesquisa. Ou ainda, adotar um determinado procedimento de tecnologia social como política de Estado pode representar a opção por um modelo de respeito a determinados padrões de incentivo à política regional e a não aceitação passiva de modelos universais destruidores de raízes sociais e culturais significativas.

Em termos gerais, a tecnologia social tende a propiciar um melhor nível de articulação com a base da sociedade organizada, por meio de estímulo ao associativismo e ao cooperativismo. Os recursos tecnológicos estão ali presentes e a própria organização da comunidade gera resultados de maior eficiência no nível local e de sua repercussão para ser apropriado pelo conjunto da sociedade.

Exemplos de benefícios da tecnologia social
A questão da escassez da água na região do semi-árido nordestino encontra na construção de cisternas uma das formas paliativas de solução a médio prazo. Assim, foi adotado um modelo genuinamente brasileiro e regional: o projeto espalhado por praticamente toda a região e que encontrou na organização Articulação no Semi Árido (ASA) a responsabilidade por sua ampla disseminação. A proposta embutida na meta de “um milhão de cisternas” é bem representativa de um caso conhecido e de sucesso do conceito de tecnologia social. Trata-se de um projeto que pressupõe o envolvimento da comunidade local na construção do reservatório, com efeitos multiplicadores em termos de renda, emprego e elevação da qualidade de vida e da produtividade agropecuária. Sua adoção implica uma opção política e alternativa: não generalizar a compra de grandes reservatórios pré-fabricados de material sintético ou de plástico. O modelo da produção na escala da agricultura familiar e da pequena propriedade rural também permite a utilização do conceito de tecnologia social. É o caso de processos importantes de produção de alimentos que estão incorporados no saber tradicional e que correm sérios riscos de desaparecer, caso sejam engolidos pela onda devastadora das tecnologias que dependem de transgênicos, agrotóxicos e fertilizantes. A opção pela tecnologia social proporciona um conjunto amplo de ganhos: i) a fixação da população no campo, com condições de remuneração adequada; ii) o consumo de bens derivados da produção agrícola de qualidade; iii) a redução do impacto negativo em termos ambientais e ecológicos; iv) a parceria com os centros de pesquisa das universidades, com a possibilidade de ampliar e aprofundar as inovações a partir dos saberes tradicionais; entre tantos outros fatores positivos.

Em termos do elevadíssimo déficit habitacional e de programas como o “Minha Casa, Minha Vida”, poder-se-ia aproveitar uma série de experiências exitosas de autoconstrução e de práticas de construção civil que se desenvolvem nas diversas regiões do País, evitando a pasteurização e a generalização dos modelos padronizados e inflexíveis, ditados pelas grandes empreiteiras. O uso de tecnologias alternativas, com conteúdo social, poderia contribuir na busca de soluções efetivas e adequadas a cada região, cidade ou comunidade. O uso de técnicas construtivas e de materiais específicos., com participação dos próprios interessados, certamente elevariam a qualidade das moradias a serem construídas, evitando o triste fenômeno das “casas de parede de farinha”, que se desfazem literalmente pouco tempo após sua entrega aos beneficiários.

O desenvolvimento científico e tecnológico em regiões estratégicas para o desenvolvimento nacional, como a Amazônia, deve também contar com a colaboração do conhecimento secular dos povos autóctones. A combinação das pesquisas de ponta dos diversos campos da ciência e as práticas dos moradores da região permite a alavancagem de novas oportunidades e a incorporação de processos já conhecidos no plano local. O potencial de avanços na área de biotecnologia e fitoterapia, por exemplo, pode ser melhor aproveitado a partir de uma articulação com os atores sociais que são detentores de práticas e conhecimento nesse domínio. Essa é uma das evidências de viabilização de um modelo efetivo de sustentabilidade. Existe uma série de iniciativas nesse campo, inclusive nas próprias universidades brasileiras. A divulgação dos projetos e o chamamento à participação da comunidade permitem lançar as bases para a generalização desse tipo de conhecimento, como bem atesta o concurso “Aprender e ensinar – tecnologias sociais”.

Dessa forma, a internalização das diretrizes da Rio + 20 e a elaboração de um projeto de desenvolvimento sustentável deveriam incorporar a preocupação com um maior espaço a ser conferido à tecnologia social. Se a introdução de práticas da chamada “economia verde” estiver mesmo associada à erradicação da miséria, então a sustentabilidade não pode ser imaginada sem o tripé das dimensões ambiental, social e econômica. Mais do que nunca, o incentivo do Estado ao desenvolvimento das tecnologias sociais viria a cumprir com esse mesmo objetivo articulado de preservação do planeta e de melhoria da qualidade de vida de seus habitantes.
Paulo Kliass é Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental e doutor em Economia pela Universidade de Paris 10.

1º de Maio: unidade, valorização do trabalho e luta por direitos
Sérgio Luiz Leite, Serginho

1º de Maio: unidade, valorização do trabalho e luta por direitos

Dois projetos de mundo em confronto: uma análise de conjuntura para a classe trabalhadora
Eusébio Pinto Neto

Dois projetos de mundo em confronto: uma análise de conjuntura para a classe trabalhadora

Consignado CLT: crédito fácil, juros abusivos e a falta de controle que penaliza o trabalhador
Nilton Souza da Silva, o Neco

Consignado CLT: crédito fácil, juros abusivos e a falta de controle que penaliza o trabalhador

CONCLAT em movimento
João Guilherme Vargas Netto

CONCLAT em movimento

Sem memória não há democracia
André Gato

Sem memória não há democracia

A importância dos trabalhadores na indústria da fabricação do etanol e o papel estratégico das organizações sindicais laborais
José Roberto da Cunha

A importância dos trabalhadores na indústria da fabricação do etanol e o papel estratégico das organizações sindicais laborais

Proteger os sindicatos é proteger o trabalhador; por João Carlos (Juruna)
João Carlos Gonçalves, (Juruna)

Proteger os sindicatos é proteger o trabalhador; por João Carlos (Juruna)

Juntos somos fortes!
Gleberson Jales

Juntos somos fortes!

Decisão final do STF sobre o Tema 935 (contribuição assistencial)
César Augusto de Mello

Decisão final do STF sobre o Tema 935 (contribuição assistencial)

Energia, Trabalho e Soberania: o Brasil que queremos construir
Eduardo Annunciato, Chicão

Energia, Trabalho e Soberania: o Brasil que queremos construir

Tarifaço, Empregos e a Resposta das Centrais Sindicais no Brasil; por Clemente Ganz
Clemente Ganz Lúcio

Tarifaço, Empregos e a Resposta das Centrais Sindicais no Brasil; por Clemente Ganz

Dois anos sem João Inocentini
Milton Cavalo

Dois anos sem João Inocentini

Metalúrgicos em Ação
Josinaldo José de Barros (Cabeça)

Metalúrgicos em Ação

Mercado de Trabalho: Avanços e Persistências; por Marilane Teixeira
Marilane Oliveira Teixeira

Mercado de Trabalho: Avanços e Persistências; por Marilane Teixeira

Indústria forte é Brasil forte!
Cristina Helena Silva Gomes

Indústria forte é Brasil forte!

Se está na convenção, é lei
Paulo Ferrari

Se está na convenção, é lei

1º de Maio reúne metalúrgicos por democracia e direitos
Força 1 MAI 2026

1º de Maio reúne metalúrgicos por democracia e direitos

O 1º de Maio e a luta pela redução da jornada
1º de Maio 1 MAI 2026

O 1º de Maio e a luta pela redução da jornada

Centrais destacam prioridades em anúncio nos jornais
1º de Maio 1 MAI 2026

Centrais destacam prioridades em anúncio nos jornais

Dirigentes das centrais sindicais convocam para 1º de Maio
1º de Maio 30 ABR 2026

Dirigentes das centrais sindicais convocam para 1º de Maio

1º de Maio: saiba onde vão acontecer eventos
1º de Maio 30 ABR 2026

1º de Maio: saiba onde vão acontecer eventos

1º de Maio: metalúrgicos SP vão defender empregos, direitos e democracia
1º de Maio 30 ABR 2026

1º de Maio: metalúrgicos SP vão defender empregos, direitos e democracia

Juruna fala ao Brasil 247 sobre 1º de Maio, jornada e eleições
1º de Maio 30 ABR 2026

Juruna fala ao Brasil 247 sobre 1º de Maio, jornada e eleições

CODEFAT debate seguro-desemprego e contas do FAT
Força 30 ABR 2026

CODEFAT debate seguro-desemprego e contas do FAT

Sindnapi participa de reunião do Conselho da Pessoa Idosa
Força 30 ABR 2026

Sindnapi participa de reunião do Conselho da Pessoa Idosa

Químicos de Americana elegem diretoria
Força 30 ABR 2026

Químicos de Americana elegem diretoria

Cadastro do 1º de Maio
1º de Maio 30 ABR 2026

Cadastro do 1º de Maio

1º de Maio: unidade, valorização do trabalho e luta por direitos
1º de Maio 30 ABR 2026

1º de Maio: unidade, valorização do trabalho e luta por direitos

1º de Maio: Lutar pelo fim da escala 6×1 e celebrar as conquistas da classe trabalhadora
1º de Maio 30 ABR 2026

1º de Maio: Lutar pelo fim da escala 6×1 e celebrar as conquistas da classe trabalhadora

Juros altos ampliam endividamento das famílias
Força 29 ABR 2026

Juros altos ampliam endividamento das famílias

CSPB reúne lideranças para formação política
Força 29 ABR 2026

CSPB reúne lideranças para formação política

Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos comemora 63 anos
Força 29 ABR 2026

Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos comemora 63 anos

Sintepav Bahia intensifica assembleias e alerta sobre uso de protetor solar
Força 29 ABR 2026

Sintepav Bahia intensifica assembleias e alerta sobre uso de protetor solar

Sindnapi promove baile dos idosos em Americana
Força 29 ABR 2026

Sindnapi promove baile dos idosos em Americana

Fenabor articula com governo contra concorrência desleal
Força 29 ABR 2026

Fenabor articula com governo contra concorrência desleal

28 de abril: Fenepospetro em defesa da saúde e segurança dos frentistas
Força 28 ABR 2026

28 de abril: Fenepospetro em defesa da saúde e segurança dos frentistas

Químicos reforçam luta por segurança no ato do Dia 28 de Abril
Força 28 ABR 2026

Químicos reforçam luta por segurança no ato do Dia 28 de Abril

Ato de 28 de Abril reforça luta por saúde no trabalho
Força 28 ABR 2026

Ato de 28 de Abril reforça luta por saúde no trabalho

Centrais fazem ato contra juros altos na Paulista
Força 28 ABR 2026

Centrais fazem ato contra juros altos na Paulista

Renosul e Bruma: Sintrabor garante adicional de insalubridade
Força 28 ABR 2026

Renosul e Bruma: Sintrabor garante adicional de insalubridade

Sintracon-SP fará palestra com Paulo Teixeira, ex-ministro de Lula
Força 27 ABR 2026

Sintracon-SP fará palestra com Paulo Teixeira, ex-ministro de Lula

Debate sobre redução da jornada e fim da escala 6×1 na Jovem Pan News
Força 27 ABR 2026

Debate sobre redução da jornada e fim da escala 6×1 na Jovem Pan News

Ato e Canto pela Vida mobiliza São Paulo no dia 26
Força 27 ABR 2026

Ato e Canto pela Vida mobiliza São Paulo no dia 26

Sinthoresp no 50º Campeonato Brasileiro de Coquetelaria
Força 27 ABR 2026

Sinthoresp no 50º Campeonato Brasileiro de Coquetelaria

Chapa 1 vence eleição no Sindicato dos Brinquedos SP com ampla maioria
Força 27 ABR 2026

Chapa 1 vence eleição no Sindicato dos Brinquedos SP com ampla maioria

Centrais farão ato amanhã (28/04) contra juros altos na Av. Paulista
Força 27 ABR 2026

Centrais farão ato amanhã (28/04) contra juros altos na Av. Paulista

Aguarde! Carregando mais artigos...