Menu

Mapa do site

Emissão de boleto

Nacional São Paulo

Emissão de boleto

Nacional São Paulo
8 OUT 2025

Imagem do dia

Seminário Pré-COP30; FOTOS

Imagem do dia - Força Sindical

Enviar link da notícia por e-mail

Artigos

A política e a economia na (des)construção europeia

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Artigos

A política e a economia na (des)construção europeia

Por: Paulo Kliass

A distância física e a falta de sintonia dos órgãos centrais europeus reforçam o sentimento com que passam a ser tratados “aqueles de Bruxelas”, como se aos poucos o sonho da Europa unida fosse desconstruído pelos pesadelos provocados pelas decisões de uma tecnocracia desvinculada das preocupações da maioria da população.

Para quem assiste nos dias de hoje a tudo o que se passa na zona do euro, parece haver uma enorme distância entre os sonhos utópicos da construção da então chamada “Europa dos povos e das nações” e a crise atual de natureza econômica e financeira que parece colocar em xeque tantas décadas de uma difícil trilha em busca de algum tipo de unificação.

É claro que, desde o início de tal movimento no velho continente, havia uma tentativa de se contrapor, do ponto de vista geopolítico e ideológico, ao avanço dos países que experimentavam o caminho do socialismo pelo lado da Europa oriental. Porém, não há como negar tampouco que do lado dos sonhadores de uma unificação europeia estavam também os que lutavam por um espaço de maior solidariedade e de afirmação da paz em um continente tão marcado pelos horrores das guerras sucessivas.

Não por acaso, os primeiros passos mais concretos para essa iniciativ a foram dados logo depois do final da Segunda Guerra Mundial, quando 6 países resolveram estabelecer a Comunidade Econômica do Carvão e do Aço (CECA). Assim, em 1951 Bélgica, Holanda, Luxemburgo, França, Alemanha e Itália constituem essa primeira tentativa de união aduaneira em torno dessas duas mercadorias essenciais ao processo de industrialização que se avizinhava para a reconstrução pós 1945. A base para tal acordo foi justamente uma tentativa anterior dada pelos 3 primeiros países, numa união que ficou conhecida como Benelux.

O processo diplomático e econômico evolui aos poucos e em 1957 esse mesmo grupo de países firma o importante Tratado de Roma, instituindo oficialmente a Comunidade Econômica Européia (CEE). Para além de simples união aduaneira, os signatários avançam mais do que a mera circulação de mercadorias sem pagamento de impostos. O tratado já apontava na direção da livre circulação de pessoas e de servi ços. Os aspectos positivos da construção atraem, mais tarde, a Grã Bretanha, a Dinamarca e a Irlanda, que se associam ao bloco em 1973. No jargão da diplomacia, encerrava-se a fase da “Europa dos 6” e tinha início a etapa da “Europa dos 9”.

Apesar das dificuldades intrínsecas à construção da unidade interna em conjunto tão diverso de identidades nacionais, os dirigentes políticos europeus percebiam a necessidade de ampliarem também o espaço para novos países, tanto em termos de novos mercados como de expansão territorial da união. O período de crescimento econômico dos anos 60/70 parecia favorecer tal tentativa e na década de 80 foram aceitos Grécia (1981) e depois Portugal e Espanha (1982). Era a início da fase da “Europa dos 12”.

A década de 90 é marcada por importantes saltos no caminho da construção do mercado monetário. Em 1991, o Tratado de Maastricht formaliza a transformação da “simples” CEE (comunidade) em um organismo mais complexo, a União Européia (UE). Com isso, começa a ganhar corpo a estratégia de constituição orgânica de uma Europa de natureza quase confederativa e que estaria mais consolidada, tanto do ponto de vista político- institucional quanto da perspectiva econômica e monetária.

Na esteira de tal movimento, em 1993 é aprovada a criação de uma moeda única para esse espaço europeu – o euro. A previsão era de que a entrada em vigor desse novo padrão monetário fosse para o início da década seguinte. Por outro lado, ainda em 1995, a UE ganha três novos membros: Áustria, Finlândia e Suécia. A partir de então, fala-se da “Europa dos 15”.

Na seqüência, 2002 vem a ser um ano especial. É quando tem início a vigência, de forma efetiva, do novo padrão monetário no interior da UE. Em uma experiência absolutamente inédita na história, os países abandonavam suas respectivas moedas nacionais e as substituíam pelo novo euro – uma moeda supranacional. Porém, como estava previsto nos acordos, 3 membros decidem não avançar tão profundamente na unificação. Grã Bretanha, Dinamarca e Suécia optam por uma postura de maior cautela e constituem uma exceção: continuam a ser membros da UE, mas lançam mão do argumento da soberania para não compartilhar a união monetária. Continuam operando em seus próprios espaços nacionais com a libra esterlina e as coroas dinamarquesa e sueca.

Os processos de pedidos de adesão continuam a chegar e o espaço da UE vai sofrer ainda mais dois momentos de ampliação. Em 2005 entram 10 novos países de uma só vez: Chipre, Malta, Polônia, Estônia, Letônia, Lituânia, Hungria, Rep. Tcheca, Eslováquia e Eslovênia. Esse conjunto dura pouco tempo, pois em 2007 entram Bulgária e Romênia, constituindo o quadro atual da “Europa dos 27”.

Uma das singularidades que mais chamam a atenção no caso da unificação européia é a combinação do elemento político-institucional com o econômico. Isso porque, ao contrário do pouco espaço oferecido pela grande imprensa ao movimento, trata-se de um longo processo, em que os países abrem voluntariamente mão de aspectos de soberania nacional para construção de um espaço e de uma institucionalidade supranacionais.

A UE conta hoje com um poder legislativo (Parlamento Europeu), cujos integrantes são eleitos diretamente pelos cidadãos de cada um dos 27 membros, com algum grau de proporcionalidade ao tamanho de suas respectivas populações. Os países mais populosos elegem um máximo de 96 deputados cada um e os menores ficam com um mínimo de 6 representantes cada. A União é dirigida pelo Conselho Europeu que reúne os Chefes de Estado de todos os países membros, com reuniões trimestrais ordinárias.

O Conselho da União Européia representa algo mais próxim o do organismo responsável pelo estabelecimento de políticas públicas e de implementação de matérias aprovadas pelo parlamento. Ele é composto por um representante ministerial de cada governo. O peso de cada país nessa instância é proporcional à sua economia e à sua população. Assim, por exemplo, Alemanha, França, Itália e Grã Bretanha detêm 29 votos cada, enquanto Chipre, Estônia, Letônia, Luxemburgo e Eslovênia têm direito a 4 votos cada um. Dentre as atribuições do Conselho, estão a aprovação do Orçamento da UE, a aprovação da política externa, a definição de uma política econômica comum, entre outros aspectos. Finalmente, temos a famosa Comissão Européia, que é responsável pela condução da UE em seu cotidiano. São 27 “comissários” indicados por seus países e referendados pelo Parlamento Europeu. Cada membro tem um mandato de 5 anos. O poder da Comissão é enorme, pois ela é encarregada de tocar aquilo que se poderia chamar de “governo europeu” em termos de política governamental e administrativa.

Além disso, a UE constituiu organicidade também na área judiciária, com a criação do Tribunal de Justiça. Para sua composição, cada Estado membro indica um Juiz, com mandato de seis anos, renovável. Por outro lado, foi criado um Tribunal de Contas, sem poder de decisão definitivo, mas que se encarrega de acompanhar os processos relativos à lisura na condução da administração pública da UE e também as suspeitas de corrupção.

Um outro órgão que tem chamado bastante a atenção no período recente é o Banco Central Europeu (BCE). Ele foi oficialmente criado já em 1998, como sucessor do então Instituto Monetário Europeu, antes mesmo da entrada oficial em curso do euro nos países da região. O banco é dirigido por uma Diretoria composta por 6 membros indicados pelos governos dos 16 países que adotam o euro como moeda. Cada diretor tem um mandato de 8 anos. Acima da diretoria está o Conselho de Governadores, que reúne os 6 membros da diretoria e mais os representantes dos Bancos Centrais dos países da zona euro. Ao Conselho cabe a definição dos elementos gerais da política monetária e a taxa de juros do BCE.

Como se pode perceber, o processo de construção da UE guarda uma complexidade político-institucional, elemento necessário para assegurar justamente a convivência da pluralidade e da diversidade dos países membros. Com isso, o ritmo da construção européia é o ritmo da política e da diplomacia, a busca do consenso e do convencimento. Porém, correndo paralelamente, foi sendo desenhada também a arquitetura da união econômica e monetária da Europa. E esse processo tem início justamente durante os anos 80 e 90 do século passado, quando imperava absoluto o paradigma neoliberal pelo mundo afora – inclusive no interior de governos socialistas à fr ente do processo de unificação européia, cujo maior simbolismo ficou por conta de François Mitterand, presidente da França por 14 anos – de 1981 a 1995.

E o ritmo da economia acabou por ser muito mais acelerado do que o da política e do institucional. A construção da ordem econômica e financeira da UE, dessa forma, terminou por ser o elemento determinante na configuração final do modelo de união adotado. Ao invés da Europa dos povos e das nações, o que se via cada vez mais claramente era a construção da Europa das grandes empresas e do capital financeiro.

A distância física e a falta de sintonia dos órgãos centrais europeus reforçam o sentimento com que passam a ser tratados “aqueles de Bruxelas”, como se aos poucos o sonho da Europa unida fosse desconstruído pelos pesadelos provocados pelas decisões de uma tecnocracia desvinculada das preocupações da maioria da população e mesmo de seus governos nacionais. A independência do BCE é a perfeita concretização de tal tendência.

Tal descompasso entre a política e a economia vai desembocar num certo desencanto de parcelas crescentes da população de diversos países da região, provocando mesmo um conjunto de manifestações contrárias em plebiscitos convocados para referendar os acordos assinados pelos governos. Mais do que um “não” à Europa em geral, tratava-se de uma posição contrária à forma como aquela união estava sendo constituída, com o eterno chamado ao sacrifício da maioria e os também conhecidos benefícios para poucos. A negativa nas consultas efetuadas na França, Holanda e Irlanda na primeira década do milênio foram os primeiros alertas a respeito das dificuldades colocadas pelo modelo europeu em andamento.

 

Paulo Kliass é Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental e doutor em Economia pela Universidade de Paris 10.

1º de Maio: unidade, valorização do trabalho e luta por direitos
Sérgio Luiz Leite, Serginho

1º de Maio: unidade, valorização do trabalho e luta por direitos

Dois projetos de mundo em confronto: uma análise de conjuntura para a classe trabalhadora
Eusébio Pinto Neto

Dois projetos de mundo em confronto: uma análise de conjuntura para a classe trabalhadora

Consignado CLT: crédito fácil, juros abusivos e a falta de controle que penaliza o trabalhador
Nilton Souza da Silva, o Neco

Consignado CLT: crédito fácil, juros abusivos e a falta de controle que penaliza o trabalhador

CONCLAT em movimento
João Guilherme Vargas Netto

CONCLAT em movimento

Sem memória não há democracia
André Gato

Sem memória não há democracia

A importância dos trabalhadores na indústria da fabricação do etanol e o papel estratégico das organizações sindicais laborais
José Roberto da Cunha

A importância dos trabalhadores na indústria da fabricação do etanol e o papel estratégico das organizações sindicais laborais

Proteger os sindicatos é proteger o trabalhador; por João Carlos (Juruna)
João Carlos Gonçalves, (Juruna)

Proteger os sindicatos é proteger o trabalhador; por João Carlos (Juruna)

Juntos somos fortes!
Gleberson Jales

Juntos somos fortes!

Decisão final do STF sobre o Tema 935 (contribuição assistencial)
César Augusto de Mello

Decisão final do STF sobre o Tema 935 (contribuição assistencial)

Energia, Trabalho e Soberania: o Brasil que queremos construir
Eduardo Annunciato, Chicão

Energia, Trabalho e Soberania: o Brasil que queremos construir

Tarifaço, Empregos e a Resposta das Centrais Sindicais no Brasil; por Clemente Ganz
Clemente Ganz Lúcio

Tarifaço, Empregos e a Resposta das Centrais Sindicais no Brasil; por Clemente Ganz

Dois anos sem João Inocentini
Milton Cavalo

Dois anos sem João Inocentini

Metalúrgicos em Ação
Josinaldo José de Barros (Cabeça)

Metalúrgicos em Ação

Mercado de Trabalho: Avanços e Persistências; por Marilane Teixeira
Marilane Oliveira Teixeira

Mercado de Trabalho: Avanços e Persistências; por Marilane Teixeira

Indústria forte é Brasil forte!
Cristina Helena Silva Gomes

Indústria forte é Brasil forte!

Se está na convenção, é lei
Paulo Ferrari

Se está na convenção, é lei

1º de Maio reúne metalúrgicos por democracia e direitos
Força 1 MAI 2026

1º de Maio reúne metalúrgicos por democracia e direitos

O 1º de Maio e a luta pela redução da jornada
1º de Maio 1 MAI 2026

O 1º de Maio e a luta pela redução da jornada

Centrais destacam prioridades em anúncio nos jornais
1º de Maio 1 MAI 2026

Centrais destacam prioridades em anúncio nos jornais

Dirigentes das centrais sindicais convocam para 1º de Maio
1º de Maio 30 ABR 2026

Dirigentes das centrais sindicais convocam para 1º de Maio

1º de Maio: saiba onde vão acontecer eventos
1º de Maio 30 ABR 2026

1º de Maio: saiba onde vão acontecer eventos

1º de Maio: metalúrgicos SP vão defender empregos, direitos e democracia
1º de Maio 30 ABR 2026

1º de Maio: metalúrgicos SP vão defender empregos, direitos e democracia

Juruna fala ao Brasil 247 sobre 1º de Maio, jornada e eleições
1º de Maio 30 ABR 2026

Juruna fala ao Brasil 247 sobre 1º de Maio, jornada e eleições

CODEFAT debate seguro-desemprego e contas do FAT
Força 30 ABR 2026

CODEFAT debate seguro-desemprego e contas do FAT

Sindnapi participa de reunião do Conselho da Pessoa Idosa
Força 30 ABR 2026

Sindnapi participa de reunião do Conselho da Pessoa Idosa

Químicos de Americana elegem diretoria
Força 30 ABR 2026

Químicos de Americana elegem diretoria

Cadastro do 1º de Maio
1º de Maio 30 ABR 2026

Cadastro do 1º de Maio

1º de Maio: unidade, valorização do trabalho e luta por direitos
1º de Maio 30 ABR 2026

1º de Maio: unidade, valorização do trabalho e luta por direitos

1º de Maio: Lutar pelo fim da escala 6×1 e celebrar as conquistas da classe trabalhadora
1º de Maio 30 ABR 2026

1º de Maio: Lutar pelo fim da escala 6×1 e celebrar as conquistas da classe trabalhadora

Juros altos ampliam endividamento das famílias
Força 29 ABR 2026

Juros altos ampliam endividamento das famílias

CSPB reúne lideranças para formação política
Força 29 ABR 2026

CSPB reúne lideranças para formação política

Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos comemora 63 anos
Força 29 ABR 2026

Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos comemora 63 anos

Sintepav Bahia intensifica assembleias e alerta sobre uso de protetor solar
Força 29 ABR 2026

Sintepav Bahia intensifica assembleias e alerta sobre uso de protetor solar

Sindnapi promove baile dos idosos em Americana
Força 29 ABR 2026

Sindnapi promove baile dos idosos em Americana

Fenabor articula com governo contra concorrência desleal
Força 29 ABR 2026

Fenabor articula com governo contra concorrência desleal

28 de abril: Fenepospetro em defesa da saúde e segurança dos frentistas
Força 28 ABR 2026

28 de abril: Fenepospetro em defesa da saúde e segurança dos frentistas

Químicos reforçam luta por segurança no ato do Dia 28 de Abril
Força 28 ABR 2026

Químicos reforçam luta por segurança no ato do Dia 28 de Abril

Ato de 28 de Abril reforça luta por saúde no trabalho
Força 28 ABR 2026

Ato de 28 de Abril reforça luta por saúde no trabalho

Centrais fazem ato contra juros altos na Paulista
Força 28 ABR 2026

Centrais fazem ato contra juros altos na Paulista

Renosul e Bruma: Sintrabor garante adicional de insalubridade
Força 28 ABR 2026

Renosul e Bruma: Sintrabor garante adicional de insalubridade

Sintracon-SP fará palestra com Paulo Teixeira, ex-ministro de Lula
Força 27 ABR 2026

Sintracon-SP fará palestra com Paulo Teixeira, ex-ministro de Lula

Debate sobre redução da jornada e fim da escala 6×1 na Jovem Pan News
Força 27 ABR 2026

Debate sobre redução da jornada e fim da escala 6×1 na Jovem Pan News

Ato e Canto pela Vida mobiliza São Paulo no dia 26
Força 27 ABR 2026

Ato e Canto pela Vida mobiliza São Paulo no dia 26

Sinthoresp no 50º Campeonato Brasileiro de Coquetelaria
Força 27 ABR 2026

Sinthoresp no 50º Campeonato Brasileiro de Coquetelaria

Chapa 1 vence eleição no Sindicato dos Brinquedos SP com ampla maioria
Força 27 ABR 2026

Chapa 1 vence eleição no Sindicato dos Brinquedos SP com ampla maioria

Centrais farão ato amanhã (28/04) contra juros altos na Av. Paulista
Força 27 ABR 2026

Centrais farão ato amanhã (28/04) contra juros altos na Av. Paulista

Aguarde! Carregando mais artigos...