Menu

Mapa do site

Emissão de boleto

Nacional São Paulo

Emissão de boleto

Nacional São Paulo
2 JUL 2026

Imagem do dia

Veja fotos 7ª Sessão Plenária (Anistia Coletiva) da Comissão de Anistia

Imagem do dia - Força Sindical

Enviar link da notícia por e-mail

Artigos

A respeito do imposto sobre carros importados

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Artigos

A respeito do imposto sobre carros importados

Por: Paulo Kliass

O temor da reação ao aumento das alíquotas do IPI para automóveis e caminhões levou a um comportamento cheio de “justificativas”, quase “desculpas”, como se fosse uma decisão equivocada, mas necessária. Nada disso! A decisão é correta e faz parte do menu de política econômica de boa parte dos países do mundo.

Paulo Kliass

Na semana passada, o governo anunciou o aumento das alíquotas do Imposto de Produtos Industrializados (IPI) incidente sobre automóveis e caminhões, que os meios de comunicação têm chamado de “importados”. Na verdade, a decisão de aumentar em 30 pontos percentuais a alíquota do IPI é um pouco mais complexa. Até então, as faixas variavam de 7% a 25% e agora passaram a um mínimo de 37% e um máximo de 55%. No entanto, o critério adotado diz respeito ao conceito de “índice de nacionalização”. Ou seja, para não sofrer a elevação tributária, a produção do veículo deve contar com pelo menos 65% das peças ou do conteúdo produzidos internamente no Brasil.

Isso se deve ao amplamente conhecido processo de globalização, onde as grandes corporações multinacionais adotam estratégias de localização mundial de suas plantas industriais, sempre com o objetivo de reduzir custos e aumentar margens de lucro. Pneus, eu encomendo ou produzo em tal país. Componentes eletrônicos em outro. A parte de chapas de aço vem de um terceiro. E assim por diante. A conclusão é que o veículo comprado no Brasil pode até não ser totalmente importado, mas montado aqui com 90% das peças importadas. Nesse caso, por exemplo, o carro passaria a obedecer às novas regras [1].

Na verdade, a equipe da Presidenta Dilma perdeu a oportunidade da divulgação da medida para estabelecer outros ganhos adicionais importantes. Ficou um anúncio seco, rápido, com o receio das críticas dos setores ligados às importadoras e também de parte da chamada “opinião pública”, composta por setores da classe média que garantem o consumo desses veículos. Em primeiro lugar, era o momento de politizar o debate e adotar uma postura mais ofensiva na defesa da medida. O temor da reação levou a um comportamento cheio de “justificativas”, quase “desculpas”, como se fosse uma decisão equivocada, mas necessária. Nada disso! A decisão é correta e faz parte do menu de política econômica de boa parte dos países do mundo. Voltaremos ao assunto aqui embaixo.

O segundo ponto perdido é, com certeza, mais sério. O governo deveria ter exigido dos setores que foram diretamente beneficiados pela medida um conjunto de pré-requisitos a serem adotados pelas empresas que terão sua margem de mercado aumentada, sem que elas não tenham tido nenhum esforço relativo a qualidade ou preço de seus produtos. Vão ganhar apenas com a decisão do governo. Ora, caberia colocar o compromisso público de medidas, tais como; i) não elevação de preços pelo período da medida, até fim de 2012; ii) não demissão de trabalhadores durante o período de vigência das novas regras; iii) metas de elevação da nacionalização dos componentes e aplicação de recursos na área de pesquisa e desenvolvimento (P&D), entre outros aspectos. Mas, não! O que se fez foi apenas uma generosa oferta – um regalo de Natal fora de época – sem nenhuma exigência de contrapartida das empresas. E aí fica aberta a retaguarda para as críticas de que a motivação teria sido apenas o lobby das montadoras aqui instaladas.

A utilização de impostos como instrumento de política de comércio exterior é muito antiga na disputa do mercado internacional. Apesar de todo o discurso em prol do liberalismo econômico e pelo fim das barreiras existentes à livre circulação de mercadorias, desde os tempos dos clássicos como Adam Smith e David Ricardo, o fato é que os Estados nacionais sempre interpuseram algum tipo de medida de caráter protecionista para atender aos interesses de setores com poder político na suas estruturas sociais internas. Tributos sobre bens importados, subsídios para que os produtos nacionais cheguem a preços mais baixos ao consumidor ou simplesmente imposição de quotas à importação de determinados bens.

Essas são práticas da União Européia, dos Estados Unidos, do Japão e por aí vai. Liberalismo é bom de sugerir para o quintal dos outros! Nada contra essa contradição, faz parte da política. E aí fica a Organização Mundial do Comércio (OMC) encarregada de julgar os casos considerados “abusivos” e de punir os países cujos longos processos os considerem como culpados.

Mas, em geral, as decisões de caráter protecionista eram do tipo “para favorecer os setores nacionais” contra os “estrangeiros”. Hoje em dia – e é bem o caso da recente decisão do governo brasileiro – não se trata mais dessa forma de polarização mais, digamos, rudimentar.

Afinal grupos como Ford, General Motors, Volkswagen, Mercedes Benz, Fiat, Peugeot, Citröen, Renault, Honda, Mitsubishi – para ficar em apenas alguns dos que serão beneficiados pelo Decreto n° 7567, de 15 de setembro de 2011 – não são exatamente o que se poderia caracterizar como representantes do interesse nacional brasileiro! Portanto, trata-se de medida de política econômica com o intuito de preservar emprego e renda aqui dentro, ainda que as empresas obedeçam a núcleos decisórios cujas lógicas e interesses encontram-se bem distantes do nosso solo tupiniquim.

Mas nem por isso a decisão está equivocada. Inclusive porque – além das antigas e conhecidas marcas norte-americanas, européias, japonesas e coreanas – agora despontam por aqui também os produtos “made in China”. Com preços lá embaixo, comprometendo seriamente a produção interna e ameaçando a nossa economia com o processo de desindustrialização. E isso sem contar a poderosa Tata indiana, que mantém um projeto de carro urbano mais barato do planeta, o Nano, a preços inferiores a 3.000 dólares a unidade. Ora, se nosso mercado é assim tão promissor, que venham se instalar e produzir aqui dentro.

Alguns analistas levantam a crítica da “ruptura de contrato”, pois a medida vai contra as condições existentes quando da entrada das importadoras em operação. Ora, mas essa tese levaria a uma impossibilidade absoluta de alterar quaisquer regras, a qualquer momento. Mais sérias me parecem ser as “rupturas” derivadas das conseqüências econômicas, sociais e políticas da desindustrialização. Outros apontam eventual risco de pressão inflacionária, uma vez que os importados chegariam com preços mais elevados e propiciariam às montadoras que obedeceram aos limites do conteúdo nacional eventual margem para aumento em seus preços. Nesse caso, cabe ao governo utilizar-se de seus inúmeros instrumentos de pressão para evitar esse tipo de comportamento oportunista por parte das montadoras. Afinal, todos sabemos que a indústria automobilística não é nenhum mercado da batatinha.

Já peço desculpas antecipadas a eventuais leitores que haviam pensado em comprar algum veículo constante da lista do Ministério da Fazenda. Mas o fato é que a maioria das decisões (e inclusive das não-decisões) não são neutras e afetam interesses. O Brasil não pode mais continuar permitindo de forma passiva esse tipo de concorrência, que sufoca nosso parque industrial e transfere renda para o exterior. Na verdade, a medida já veio muito tarde. E, infelizmente, não veio acompanhada de medidas de política industrial efetivas para permitir o desenvolvimento de ciência e tecnologia internas para que o Brasil possa ser auto-suficiente no setor. Ou alguém acha que Coréia, China e Índia estão hoje em condições de exportar seus veículos para cá por conta de algum milagre não explicado fora da decisão dos governantes daqueles países em consolidar um parque industrial competitivo?

Nosso setor automotivo começou a ser instalado lá nos tempos de Juscelino Kubitschek, mais de 5 décadas atrás, e até hoje o País ainda não construiu um projeto de uma indústria brasileira no setor. Talvez seja tarde para começar agora, pois muita gente considera tratar-se de um setor mais para o passado do que para o futuro. Mas que sirva de exemplo dos males que o Brasil sofre pela inexistência de uma vontade política afirmativa e de uma política industrial audaciosa, que nos permita despontar em várias áreas, como o fizemos com a Embraer, a Petrobrás e outros setores estratégicos e portadores de futuro.

No caso da automobilística, bem como de outros setores de grande porte, a nossa postura tende a ser de subserviência, como se eles fizessem um favor ao vir se instalar por aqui. Aproveitam-se de toda sorte de incentivos fiscais e estimulam até briga entre as unidades da federação, para saber quem vai oferecer mais benefícios para o grupo se instalar em tal ou qual Estado. Um verdadeiro leilão contra o Brasil. Já veremos como o governo vai se comportar com as negociações que estão em curso (com transparência quase zero, diga-se de passagem!) para um setor igualmente estratégico: computadores, condutores eletrônicos, chips e demais áreas da informática. Trata-se da vinda da maior empresa do mundo do ramo, a poderosa chinesa Foxconn. É fundamental que se rompa com a postura historicamente subserviente que sempre nos marcou. Aliás, nada mais do que a postura adotada pela China quanto às exigências impostas às empresas estrangeiras que lá desejam se instalar. Um pouquinho de espírito de soberania e defesa do interesse nacional não faz mal a ninguém!

[1] Vale aqui a observação de que os veículos produzidos no âmbito do Mercosul estão fora de tais medidas, pois o espírito é justamente da consolidação de um mercado comum, sem barreiras alfandegárias entre os países membros. E o importante é que sejam negociadas condições para evitar o chamado “efeito corredor”, em que a importação via Argentina permita a burla às novas alíquotas. O mesmo vale para os veículos importados do México.

Paulo Kliass é Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental e doutor em Economia pela Universidade de Paris 10

Nem reconstruir, nem reinventar: o sindicalismo deve resistir e cumprir sua missão histórica
Carolina Maria Ruy

Nem reconstruir, nem reinventar: o sindicalismo deve resistir e cumprir sua missão histórica

Acontecimento relevante
João Guilherme Vargas Netto

Acontecimento relevante

A fortaleza do sindicato
Eusébio Pinto Neto

A fortaleza do sindicato

Saúde mental: responsabilidade de todos
Sérgio Luiz Leite, Serginho

Saúde mental: responsabilidade de todos

Dignidade, equilíbrio e respeito!
Gleberson Jales

Dignidade, equilíbrio e respeito!

Etarismo na Lapa: quando a conveniência expulsa o direito ao acolhimento
Andréa Gato

Etarismo na Lapa: quando a conveniência expulsa o direito ao acolhimento

Consignado CLT: crédito fácil, juros abusivos e a falta de controle que penaliza o trabalhador
Nilton Souza da Silva, o Neco

Consignado CLT: crédito fácil, juros abusivos e a falta de controle que penaliza o trabalhador

A importância dos trabalhadores na indústria da fabricação do etanol e o papel estratégico das organizações sindicais laborais
José Roberto da Cunha

A importância dos trabalhadores na indústria da fabricação do etanol e o papel estratégico das organizações sindicais laborais

Proteger os sindicatos é proteger o trabalhador; por João Carlos (Juruna)
João Carlos Gonçalves, (Juruna)

Proteger os sindicatos é proteger o trabalhador; por João Carlos (Juruna)

Decisão final do STF sobre o Tema 935 (contribuição assistencial)
César Augusto de Mello

Decisão final do STF sobre o Tema 935 (contribuição assistencial)

Energia, Trabalho e Soberania: o Brasil que queremos construir
Eduardo Annunciato, Chicão

Energia, Trabalho e Soberania: o Brasil que queremos construir

Dois anos sem João Inocentini
Milton Cavalo

Dois anos sem João Inocentini

Metalúrgicos em Ação
Josinaldo José de Barros (Cabeça)

Metalúrgicos em Ação

Centrais sindicais debatem tarifaço com ministro da Indústria
Força 31 JUL 2026

Centrais sindicais debatem tarifaço com ministro da Indústria

Apostar online? A conta pode ser mais cara do que você imagina
Força 31 JUL 2026

Apostar online? A conta pode ser mais cara do que você imagina

SISPESP e CCM-IAMSPE fortalecem parceria pelos servidores
Força 31 JUL 2026

SISPESP e CCM-IAMSPE fortalecem parceria pelos servidores

Miguel e Serginho debatem fortalecimento do movimento sindical
Força 31 JUL 2026

Miguel e Serginho debatem fortalecimento do movimento sindical

Força Sindical Bahia promove encontro de integração sindical
Força 31 JUL 2026

Força Sindical Bahia promove encontro de integração sindical

FEQUIMFAR reforça luta por segurança em ato em Itatiba
Força 31 JUL 2026

FEQUIMFAR reforça luta por segurança em ato em Itatiba

Encontro dos Metalúrgicos SP reforça prevenção e saúde bucal
Força 30 JUL 2026

Encontro dos Metalúrgicos SP reforça prevenção e saúde bucal

Papeleiros fortalecem mobilização em encontro nacional
Força 30 JUL 2026

Papeleiros fortalecem mobilização em encontro nacional

Encontro fortalece atuação das Cipas pela segurança no trabalho
Força 30 JUL 2026

Encontro fortalece atuação das Cipas pela segurança no trabalho

Encontro nacional promove debate sobre calor e saúde do trabalhador
Força 30 JUL 2026

Encontro nacional promove debate sobre calor e saúde do trabalhador

Sintrabor destaca 35 anos da Lei de Cotas
Força 30 JUL 2026

Sintrabor destaca 35 anos da Lei de Cotas

SinSaúdeSP e Coren-SP celebram conquista histórica
Força 30 JUL 2026

SinSaúdeSP e Coren-SP celebram conquista histórica

FGTS distribuirá R$ 13 bilhões em lucros aos trabalhadores
Força 30 JUL 2026

FGTS distribuirá R$ 13 bilhões em lucros aos trabalhadores

Metalúrgicos SP ampliam mobilização pela redução da jornada
Força 29 JUL 2026

Metalúrgicos SP ampliam mobilização pela redução da jornada

Sindicato dos Químicos de Rio Claro celebra 63 anos
Força 29 JUL 2026

Sindicato dos Químicos de Rio Claro celebra 63 anos

Metalúrgicos de Osasco debatem jornada e Previdência em ciclo de debates
Força 29 JUL 2026

Metalúrgicos de Osasco debatem jornada e Previdência em ciclo de debates

Sindicatos debatem futuro das concessões da Enel
Força 29 JUL 2026

Sindicatos debatem futuro das concessões da Enel

SESC e Sindnapi fortalecem parceria no Espírito Santo
Força 29 JUL 2026

SESC e Sindnapi fortalecem parceria no Espírito Santo

Associados participam do tradicional bingo do Sindnapi
Força 29 JUL 2026

Associados participam do tradicional bingo do Sindnapi

Frentistas do RJ rejeitam proposta patronal sem ganho real
Força 29 JUL 2026

Frentistas do RJ rejeitam proposta patronal sem ganho real

Frentistas reforçam mobilização antes de nova rodada de negociação
Força 28 JUL 2026

Frentistas reforçam mobilização antes de nova rodada de negociação

Sinttrar promove corrida contra pedágio na BR-364
Força 28 JUL 2026

Sinttrar promove corrida contra pedágio na BR-364

Sindicato reforça atuação nas bases dos eletricitários
Força 28 JUL 2026

Sindicato reforça atuação nas bases dos eletricitários

Diretoria dos metalúrgicos SP planeja mobilizações e campanha salarial
Força 28 JUL 2026

Diretoria dos metalúrgicos SP planeja mobilizações e campanha salarial

Metalúrgicos SP promovem evento do Julho Verde na quinta-feira
Força 28 JUL 2026

Metalúrgicos SP promovem evento do Julho Verde na quinta-feira

Indústria impulsiona geração de empregos em Guarulhos
Força 27 JUL 2026

Indústria impulsiona geração de empregos em Guarulhos

Força Sindical RJ reforça luta pelo fim da escala 6×1
Força 27 JUL 2026

Força Sindical RJ reforça luta pelo fim da escala 6×1

Sintracon-SP promove Campeonato de Dominó com premiação
Força 27 JUL 2026

Sintracon-SP promove Campeonato de Dominó com premiação

Campanha do etanol amplia acordos e garante avanços salariais
Força 24 JUL 2026

Campanha do etanol amplia acordos e garante avanços salariais

Encontro fortalece diálogo entre sindicatos e Ministério
Força 24 JUL 2026

Encontro fortalece diálogo entre sindicatos e Ministério

Aguarde! Carregando mais artigos...