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Sintracon-SP faz 75 anos e deixa um documento para o futuro

quarta-feira, 15 de junho de 2011

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Sintracon-SP faz 75 anos e deixa um documento para o futuro

Por: Antônio de Sousa Ramalho

O dia 16 de junho de 2011 marca o aniversário de 75 anos do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de São Paulo.

A entidade chega à histórica data representando os interesses de uma categoria composta por cerca de 400 mil profissionais de um setor que, sozinho, responde por 16% do PIB – Produto Interno Bruto Brasileiro.

Os companheiros que, no futuro, lerem o presente registro, histórico, deverão saber que a Construção Civil paulista e nacional passava, em 2011, por uma fase de grande aquecimento.

A economia, estabilizada, promoveu grandes oportunidades de crédito, o que desaguou num boom imobiliário sem precedentes, a ponto de faltar terreno e mão de obra qualificada para tocar projetos, especialmente nos centros urbanos.

As gerações futuras precisarão ter conhecimento, também, que o País se preparava para fazer frente à intensa demanda causada por dois grandes eventos esportivos: a Copa do Mundo de Futebol (2014) e os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro (2016). E a Construção Civil tinha absolutamente tudo a ver com tal panorama.

No ano dos 75 anos do Sindicato, o principal obstáculo residia na falta de qualificação profissional, fato capaz de reunir, na mesma mesa, trabalhadores, sindicatos, governo, empresários, organizações não governamentais e diversos segmentos de representação da sociedade organizada.

Outro ponto importante para análise residia nas relações entre o capital e o trabalho: a submissão dos trabalhadores à nociva prática das tarefas.

A questionável esperteza de alguns maus empresários obrigava grande parte da categoria a uma excessiva carga de trabalho, não contabilizando as horas extras no holerite, como mandava a Lei instituída.

Com isso, o trabalhador era registrado – quando era, aliás – em carteira profissional com o piso mínimo, em detrimento daquilo que efetivamente percebia mensalmente, cerca de três ou quatro vezes mais.

Tal prática, rotineiramente acusada e combatida por nosso Sindicato, lesava o profissional para efeito de 13º salário, férias, INSS, FGTS e na Caixa, onde eles permaneciam em casos de doenças e acidentes de trabalho. E mais: o governo era fraudado pelos patrões em termos de carga tributária.

Este era o quadro de uma época. Todavia, ao longo da primeira década do século XXI, o Sindicato obteve inúmeros avanços econômicos e sociais, tornando o período repleto de conquistas, como veremos adiante.

Tais conquistas se tornaram possíveis graças à política de conscientização da categoria quanto a seus deveres e, principalmente, direitos.

O amadurecimento político pôde ser visto pela sociedade nas ruas da Capital bandeirante, onde foram efetivadas inúmeras passeatas a bordo de greves deflagradas pelo Sindicato, dando voz e vez ao trabalhador da Construção Civil nas discussões de cunho político, tanto no Legislativo quanto no Poder Executivo.

O sonho da casa própria era perseguido pela entidade de classe. O governo respondeu a tal situação com sucessivos lançamentos do programa “Minha Casa, Minha Vida” que, apesar de aquecer ainda mais o setor da Construção Civil, com postos de trabalho, pouco ou quase nada havia realizado, até a data de 75 anos, para as famílias menos aquinhoadas.

À época, o nosso Sindicato, através de seu líder Antonio de Sousa Ramalho, defendia a PEC – Proposta de Emenda Constitucional – da Moradia Digna que, se aprovado em Brasília, evitaria iniciativas eleitoreiras e carimbaria o dinheiro destinado da seguinte forma e sob as determinações legais: O Governo Federal destinaria 2% de seu orçamento para a construção de casas populares e, os governos estaduais e municipais, 1%, nos mesmos moldes.

A luta para paulatinamente diminuir a influência das elites nos destinos do Brasil era intensa. E, com a organização da classe trabalhadora, permanecia em condição de avanço.

A festa dos 75 anos foi realizada no dia 16 de junho de 2011, no auditório da sede do Sindicato localizada na Rua Conde de Sarzedas, 286, com a presença de grande número de personalidades políticas, sindicais, eclesiásticas e da massa de trabalhadores.

Para a ocasião, inclusive, foram convidados o governador do Estado, Geraldo Alckmin, e o prefeito do município de São Paulo, Gilberto Kassab.

Na ocasião, Ramalho, em nome da categoria, recebeu um Voto de Júbilo ao Sindicato por iniciativa do vereador Cláudio Prado.

Conquistas

Nos últimos oito anos, até 2011, portanto, o Sindicato conseguiu o mesmo número de aumentos reais de salário, além de diversos benefícios sociais como:

Café da manhã; vale-alimentação; lanche da tarde; duas mudas de uniformes; higiene nos canteiros de obras; cesta básica no valor de R$ 140,00, acionado por cartão magnético nos supermercados; seguro de vida e mais de 70 outros itens.

Em sua estrutura, possui atendimento médico, odontológico, jurídico e aparatos de lazer, entre eles a Colônia de Férias de Itanhaém e o Clube de Campo do Cipó, em Embu-Guaçu.

Nessa escalada de conquistas permanentes, o Sindicato contou com a valiosa e estratégica ajuda da Força Sindical, central trabalhista a qual é filiado.
Para marcar a data, foi elaborado um livreto contando a saga da categoria que literalmente transformou São Paulo numa das maiores metrópoles do mundo.


Antonio de Sousa Ramalho
Presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de São Paulo e Vice-Presidente da Executiva Nacional da Força Sindical

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