Menu

Mapa do site

Emissão de boleto

Nacional São Paulo

Emissão de boleto

Nacional São Paulo
8 OUT 2025

Imagem do dia

Seminário Pré-COP30; FOTOS

Imagem do dia - Força Sindical

Enviar link da notícia por e-mail

Artigos

Um Estado que torne a desigualdade menos selvagem

quinta-feira, 19 de maio de 2022

Artigos

Um Estado que torne a desigualdade menos selvagem

Por: Carolina Maria Ruy
São muitos os artigos veiculados na imprensa que criticam veementemente os direitos trabalhistas. De modo geral são análises e opiniões procedentes de setores elitistas ou de pessoas que não dependem de tais direitos para viver. Em sua grande maioria acusam a CLT de 1943 de antiga e ultrapassada e defendem que novas formas de trabalho demandariam nova (e mais modesta) legislação ou a total liberdade do empregador em dispensar qualquer arcabouço legal para contratar como quiser. É um argumento cínico e amplamente refutável, mas que ainda tenta relativizar a importância dos direitos trabalhistas diluindo-os na história.
 
Existem também aqueles que criticam a forma como a CLT foi criada, no contexto do Estado Novo, acusando-a de inspiração fascista, tese que abre um bom debate sobre a situação mundial no início da década de 1940 e sobre em que condições o Brasil se desenvolvia depois de quatro séculos de escravidão e de extrativismo desenfreados. Importante pontuar que em 1944, quando o Brasil foi provocado a entrar na Segunda Guerra Mundial, o fez ao lado dos aliados e não dos fascistas organizados no Eixo Roma-Berlim-Tóquio. Sigamos.
 
A crítica aos direitos sociais e trabalhistas que a CLT proporciona ao povo brasileiro, entretanto, é algo menos comum dado o descaramento daqueles que a sustentam. E é o que, surpreendentemente, defende o advogado de larga carreira na Justiça do Trabalho, Almir Pazzianoto no artigo “Estado autoritário e legislação trabalhista”, publicado no Estadão, em 18 de maio de 2022.
 
O advogado diz que desde 1930 “o Brasil experimenta crescente intervenção do Estado nas relações privadas”, que “a livre-iniciativa é ficção constitucional, tantas são as exigências que cerceiam a liberdade indispensável à saúde da vida econômica” e, enfim, que “a aprovação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em 1.º de maio de 1943 foi uma manifestação aberta de autoritarismo”.
 
Seus argumentos entram em choque com uma realidade que, por seis anos consecutivos, período coincidente com a implantação da reforma trabalhista (maior ação de desmonte da CLT desde seu advento), descambou para a marca de mais de 10 milhões de desempregados. Uma realidade em que esses desempregados e mais milhões de subempregados sonham, conforme pesquisas atestam, com um emprego segurado pela CLT de Vargas.
 
Vamos por partes. “Desde 1930 o Brasil experimenta crescente intervenção do Estado nas relações privadas”. Mas o que havia antes de 1930 no Brasil? O que seria de nós se o Estado não interviesse nas relações sociais e trabalhistas pondo um fim na República Velha? A primeira infância da nossa República, entre 1889 e 1930, foi sustentada por uma economia agrária, governada por oligarcas que dispunham do trabalhador assalariado com a mesma mentalidade com que antes de 1888 dispunham do escravizado. Como esperar que naquelas condições os trabalhadores entrassem em acordos com os empregadores que garantissem não só a sobrevivência, mas uma vida digna que fizesse prosperar o liberalismo com que sonha Pazzianotto?
 
Houveram sim manifestações e greves que pressionaram empresários, fazendeiros e governantes. Mas não só elas foram esparsas, desincentivadas e duramente repreendidas, como foram resultados de exploração extrema, condições desumanas e rendimentos aquém do necessário para viver. Aí não tinha jeito. E foi através de manifestações e organizações como aquelas que se delinearam muitas das reivindicações que anos mais tarde figuraram na CLT.
 
O advogado vai mais fundo em sua crítica ao dizer que:
 
“Ao entrar em vigor, a CLT apanhou o País de surpresa. O microempresário urbano, ainda hoje predominante da economia, não conseguia entender a complexa legislação e como fazer para se acomodar às novas e inéditas regras. Se no Rio de Janeiro, capital da República, em São Paulo, no Rio Grande do Sul, as empresas organizadas estavam em condições de contratar alguém apto a lhe explicar o que acontecia, no interior do País as informações seriam escassas e rudimentares. Poucos advogados estavam qualificados a dar aos clientes orientação sobre como aplicar a legislação de 922 artigos que regulamentava a identificação profissional, jornada de trabalho, férias, salário mínimo, aviso prévio, rescisão contratual, estabilidade, direito judiciário do trabalho, organização sindical, negociações e dissídios coletivos, profissões com tratamento diferenciado”.
 
Ora, mas se os empresários e os advogados não estavam qualificados para compreender e implementar a CLT, o que dizer da consciência dos trabalhadores nos rincões do Brasil acerca de seus próprios direitos? O que dizer sobre isso se até hoje, 2022, o Ministério do Trabalho, criado pelo governo de Getúlio Vargas na esteira da Revolução de 30, encontra trabalhadores em situações análogas à escravidão, como no caso, revelado a poucos dias, da idosa escravizada por 72 anos no Rio de Janeiro?
 
Para o bem ou para o mal a sociedade absorve e assimila as mudanças. No caso do advento da CLT, para o bem. Se os empresários não eram qualificados para conceder direitos, tiveram que se tornar. Sem isso as situações análogas à escravidão seriam não a exceção, mas a regra.
 
A pandemia de covid-19 provocou, sim, como diz Pazzianoto, grandes mudanças. Acelerou e disseminou novas formas de trabalho. Mas essas mudanças não colidem com a manutenção, ampliação e, claro, atualização dos direitos trabalhistas. Pelo contrário, a pandemia escancarou o papel do Estado em gerenciar os pontos mais estratégicos de funcionamento da sociedade, como a economia, as relações de trabalho e a saúde. Mostrou que o mercado não dá conta de enfrentar uma crise desta envergadura.
 
Depois de dois anos de pandemia somados ao fracasso da reforma trabalhista e aos retrocessos do desgoverno de Jair Bolsonaro, o que fica claro é que precisamos de um Estado que torne as relações patrão/empregado menos selvagens, menos predatórias e mais civilizadas.
 
Um Estado que siga o exemplo da implementação da CLT que, como uma das maiores medidas civilizatórias vividas pelo Brasil, forçou o rompimento com a mentalidade escravocrata, impulsionou o surgimento de uma classe média urbana e assegurou ao povo trabalhador a condição de cidadãs e cidadãos.
 
Alcançar o estágio de liberdade total com que Almir Pazzianotto sonha, exigirá muitas gerações cobertas por direitos trabalhistas, toda a proteção social que o povo conseguiu conquistar ao longo da história e muito mais. Exigirá uma sociedade com pleno emprego, plena escolaridade, plena saúde. Empregos, educação e saúde de qualidade. Tal estágio não chegará, portanto, sob o liberalismo.
 
Carolina Maria Ruy
Pesquisadora, jornalista e coordenadora do Centro de Memória Sindical
Manifestações não costumeiras; por João Guilherme
João Guilherme Vargas Netto

Manifestações não costumeiras; por João Guilherme

1º de Maio: unidade, valorização do trabalho e luta por direitos
Sérgio Luiz Leite, Serginho

1º de Maio: unidade, valorização do trabalho e luta por direitos

Dois projetos de mundo em confronto: uma análise de conjuntura para a classe trabalhadora
Eusébio Pinto Neto

Dois projetos de mundo em confronto: uma análise de conjuntura para a classe trabalhadora

Consignado CLT: crédito fácil, juros abusivos e a falta de controle que penaliza o trabalhador
Nilton Souza da Silva, o Neco

Consignado CLT: crédito fácil, juros abusivos e a falta de controle que penaliza o trabalhador

Sem memória não há democracia
André Gato

Sem memória não há democracia

A importância dos trabalhadores na indústria da fabricação do etanol e o papel estratégico das organizações sindicais laborais
José Roberto da Cunha

A importância dos trabalhadores na indústria da fabricação do etanol e o papel estratégico das organizações sindicais laborais

Proteger os sindicatos é proteger o trabalhador; por João Carlos (Juruna)
João Carlos Gonçalves, (Juruna)

Proteger os sindicatos é proteger o trabalhador; por João Carlos (Juruna)

Juntos somos fortes!
Gleberson Jales

Juntos somos fortes!

Decisão final do STF sobre o Tema 935 (contribuição assistencial)
César Augusto de Mello

Decisão final do STF sobre o Tema 935 (contribuição assistencial)

Energia, Trabalho e Soberania: o Brasil que queremos construir
Eduardo Annunciato, Chicão

Energia, Trabalho e Soberania: o Brasil que queremos construir

Tarifaço, Empregos e a Resposta das Centrais Sindicais no Brasil; por Clemente Ganz
Clemente Ganz Lúcio

Tarifaço, Empregos e a Resposta das Centrais Sindicais no Brasil; por Clemente Ganz

Dois anos sem João Inocentini
Milton Cavalo

Dois anos sem João Inocentini

Metalúrgicos em Ação
Josinaldo José de Barros (Cabeça)

Metalúrgicos em Ação

Mercado de Trabalho: Avanços e Persistências; por Marilane Teixeira
Marilane Oliveira Teixeira

Mercado de Trabalho: Avanços e Persistências; por Marilane Teixeira

Indústria forte é Brasil forte!
Cristina Helena Silva Gomes

Indústria forte é Brasil forte!

Se está na convenção, é lei
Paulo Ferrari

Se está na convenção, é lei

Sintrabor rejeita proposta da Titan sobre escala 6×1
Força 15 MAI 2026

Sintrabor rejeita proposta da Titan sobre escala 6×1

Sintepav-BA intensifica mobilizações salariais
Força 15 MAI 2026

Sintepav-BA intensifica mobilizações salariais

Força Sindical recebe debate nacional sobre jornada
Força 14 MAI 2026

Força Sindical recebe debate nacional sobre jornada

Debate sobre jornada menor mobiliza trabalhadores em SP
Força 14 MAI 2026

Debate sobre jornada menor mobiliza trabalhadores em SP

Regional Alto Tietê da Força Sindical debate eleições de 2026
Força 14 MAI 2026

Regional Alto Tietê da Força Sindical debate eleições de 2026

Sinthoresp amplia instalação de totens informativos
Força 14 MAI 2026

Sinthoresp amplia instalação de totens informativos

Heróis da Saúde 2026 celebra profissionais em SP
Força 14 MAI 2026

Heróis da Saúde 2026 celebra profissionais em SP

Manifestações não costumeiras; por João Guilherme
Artigos 14 MAI 2026

Manifestações não costumeiras; por João Guilherme

Campanha reforça combate ao feminicídio
Força 13 MAI 2026

Campanha reforça combate ao feminicídio

Conselhão debate mudanças e segurança pública
Força 13 MAI 2026

Conselhão debate mudanças e segurança pública

FEQUIMFAR debate desafios sindicais com suecos
Força 13 MAI 2026

FEQUIMFAR debate desafios sindicais com suecos

Audiência sobre redução da jornada terá Hugo Motta e Marinho
Força 13 MAI 2026

Audiência sobre redução da jornada terá Hugo Motta e Marinho

Metalúrgicos da Bonfanti aprovam renovação da PLR, em Leme
Força 13 MAI 2026

Metalúrgicos da Bonfanti aprovam renovação da PLR, em Leme

Metalúrgicos de Guarulhos homenageiam mães com confraternização
Força 13 MAI 2026

Metalúrgicos de Guarulhos homenageiam mães com confraternização

Semana do Trabalhador amplia cidadania na Esplanada
Imprensa 12 MAI 2026

Semana do Trabalhador amplia cidadania na Esplanada

Sindnapi promove oficina financeira para aposentados no RS
Força 12 MAI 2026

Sindnapi promove oficina financeira para aposentados no RS

Sindec-POA desmente acordo com Zaffari e comenta condições de trabalho
Força 12 MAI 2026

Sindec-POA desmente acordo com Zaffari e comenta condições de trabalho

Especialistas debatem redução da jornada na Unicamp
Imprensa 12 MAI 2026

Especialistas debatem redução da jornada na Unicamp

Metalúrgicos da Dex aprovam PLR com mínimo de R$ 24 mil
Força 12 MAI 2026

Metalúrgicos da Dex aprovam PLR com mínimo de R$ 24 mil

Sintrabor alerta sobre renúncia ilegal de direitos
Força 11 MAI 2026

Sintrabor alerta sobre renúncia ilegal de direitos

Campanha salarial mobiliza construção civil em São Paulo
Força 11 MAI 2026

Campanha salarial mobiliza construção civil em São Paulo

Metalúrgicos SP debatem jornada menor e saúde mental
Força 11 MAI 2026

Metalúrgicos SP debatem jornada menor e saúde mental

Homenagem celebra mães metalúrgicas em São Paulo
Força 11 MAI 2026

Homenagem celebra mães metalúrgicas em São Paulo

Diretoria dos Químicos de Lorena toma posse para novo mandato
Força 11 MAI 2026

Diretoria dos Químicos de Lorena toma posse para novo mandato

Comissão amplia debates sobre fim da escala 6×1
Força 11 MAI 2026

Comissão amplia debates sobre fim da escala 6×1

CNS destaca 48 anos da luta antimanicomial
Força 8 MAI 2026

CNS destaca 48 anos da luta antimanicomial

Eletricitários SP sorteiam prêmios e reforçam recadastramento
Força 8 MAI 2026

Eletricitários SP sorteiam prêmios e reforçam recadastramento

Sintepav-BA defende jornada menor e valorização
Força 8 MAI 2026

Sintepav-BA defende jornada menor e valorização

Sinthoresp amplia diálogo e debate valorização feminina
Força 8 MAI 2026

Sinthoresp amplia diálogo e debate valorização feminina

Serginho critica uso do FGTS no Desenrola
Força 8 MAI 2026

Serginho critica uso do FGTS no Desenrola

Aguarde! Carregando mais artigos...