Menu

Mapa do site

Emissão de boleto

Nacional São Paulo

Emissão de boleto

Nacional São Paulo
8 OUT 2025

Imagem do dia

Seminário Pré-COP30; FOTOS

Imagem do dia - Força Sindical

Enviar link da notícia por e-mail

Memória Sindical

“Memória” conta histórias de luta por democracia

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Memória Sindical

“Memória” conta histórias de luta por democracia

Algumas passagens do século 20 sobre as lutas dos trabalhadores

memória

No ano de 2015, a coluna “Memória Sindical” tratou de temas importantes, nacionais e internacionais: apresentou dois artigos sobre as conclusões do GT dos trabalhadores na Comissão Nacional da Verdade, lembrou os “60 anos do Dieese” e os “35 anos do Diesat”, falou do poeta Bertolt Brecht, no ensejo dos “80 anos do poema Perguntas de um Trabalhador que Lê”, registrou os “110 anos da Revolução Russa de 1905”, ou o “Ensaio Geral”, e apresentou uma pesquisa inédita sobre uma “Greve na Metalúrgica Rheem, fábrica de latas, no ano de 1985”.

Mesmo aparentemente desconexos, estes temas se justificam em uma mesma coluna por abordarem elementos que tangem o universo do trabalhador. Mais do que isto, os temas têm em comum uma concepção política e estão situados em um período histórico pré e durante a guerra fria.

O socialismo no século 20
A Revolução de 1917, que instituiu o socialismo na Rússia e que, mais tarde, deu origem à União Soviética, foi precedida por um movimento que Vladimir Ilitch Lenin – um de seus maiores expoentes, se não o maior – chamou de “Ensaio Geral”.
Ocorrido em 1905, o movimento, protagonizado pelo recém-formado operariado urbano russo, reivindicava reformas democráticas e melhores condições de vida da população que, sob o império do czar, vivia em uma situação de extrema miséria, violência e sob repressão política.

Embora tenha sido reprimida naquele momento, a Revolução de 1905 assinalou o início da derrocada definitiva do czarismo, e foi uma espécie de prelúdio da Revolução Russa de 1917, que fortaleceu a ideologia socialista e a expandiu pelo mundo.

Um dos maiores entusiastas da Revolução, o poeta Bertolt Brecht, nascido em Augsburg, Alemanha, em 1898, tornou-se marxista quando atuou como enfermeiro em uma clínica militar em sua cidade natal durante a 1ª Guerra Mundial (1914-1918). No poema Perguntas de um Trabalhador que Lê, de 1935, ele condenou o fato de a história oficial desconsiderar o protagonismo das lutas sociais e exprimiu o que seria a “tomada de consciência” dos trabalhadores.

A expansão e o fortalecimento do socialismo entraram em choque com o sistema capitalista, representado, principalmente, pelos Estados Unidos da América após a 2ª Guerra Mundial (1939-1945). O advento da chamada “guerra fria” impôs uma divisão política do globo, e cada território dominado ideologicamente era fortemente defendido pelos protagonistas da ordem bipolar: EUA e URSS. Foi neste contexto que se desenvolveu a ditadura militar brasileira, alinhada aos Estados Unidos, investigada pela Comissão da Verdade.

Repressão no Brasil
A conclusão fundamental da Comissão foi que, entre 1946 e 1988, período estudado (a ditadura militar foi de 1964 a 1985), os trabalhadores brasileiros foram vítimas de um sistema repressivo, marcado por casos recorrentes de perseguição, arrocho salarial e violência, que visava instituir uma política econômica atrelada ao FMI.

Durante este período foram criados o Dieese e o Diesat, pelo movimento sindical, como instrumentos para fortalecer a luta da classe trabalhadora. E foi com essa mentalidade, já no limiar do fim da ditadura, em 1985, que aconteceu, na fábrica paulistana Rheem, um episódio emblemático da contradição entre capital e trabalho.

Naquela época, a Rheem tinha um alto índice de trabalhadores com membros “mutilados” nas máquinas porque, segundo diretores do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, a fábrica, para pagar menos, contratava trabalhadores como ajudantes e os fazia operar prensas, sem treinamento. Além disto, a metalúrgica não oferecia aos seus funcionários a possibilidade de ascender na carreira, a chamada “equiparação salarial”, nivelando os salários ao valor mais baixo.

Os trabalhadores, apoiados pelo Sindicato, entraram em greve após várias tentativas frustradas de acordo. Além de condenar as condições de trabalho na fábrica, os metalúrgicos, liderados na época por Joaquim dos Santos Andrade, o Joaquinzão, decidiram que era hora de se voltarem contra a famigerada Lei 4.330, a lei antigreve. Segundo esta lei, mesmo naquela situação, a paralisação dos trabalhadores da Rheem não era legal.

Como a única saída era apelar, os sindicalistas resolveram “jogar ovos” nos juízes quando eles considerassem a greve ilegal (o que já era esperado). Assim, no dia 4 de setembro de 1985, quando o juiz Nelson Medeiros proclamou que aquela greve era ilegal, uma intensa revolta agitou os trabalhadores, que manifestaram seu repúdio contra tal decisão.

Desgastada e desmoralizada, a Lei de Greve 4.330 foi completamente modificada na Constituição de 1988, que dispôs, em seu art. 9º, que: “É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender”.

O caso da Rheem é análogo à situação do povo oprimido da Rússia czarista, traz o trabalhador protagonista das lutas sociais de Bertolt Brecht, é exemplo da repressão investigada pela Comissão Nacional da Verdade e ilustra, também, a razão de ser do Dieese e do Diesat.

A guerra fria acabou oficialmente em 1991, com o fim da União Soviética. Um longo período de recessão econômica marcado pela ascensão do neoliberalismo se desenvolveu então. A reação a esse período amargo foi sentida na entrada do século 21, quando se iniciaram novas histórias.

*Carolina Maria Ruy é jornalista, coordenadora de projetos do Centro de Cultura e Memória Sindical

O texto foi publicado na edição nº 102 do Jornal da Força Sindical. Confira a íntegra do jornal clicando no link

Fonte: Carolina Maria Ruy

Últimas de Memória Sindical

Todas de Memória Sindical
CNS destaca 48 anos da luta antimanicomial
Força 8 MAI 2026

CNS destaca 48 anos da luta antimanicomial

Eletricitários SP sorteiam prêmios e reforçam recadastramento
Força 8 MAI 2026

Eletricitários SP sorteiam prêmios e reforçam recadastramento

Sintepav-BA defende jornada menor e valorização
Força 8 MAI 2026

Sintepav-BA defende jornada menor e valorização

Sinthoresp amplia diálogo e debate valorização feminina
Força 8 MAI 2026

Sinthoresp amplia diálogo e debate valorização feminina

Serginho critica uso do FGTS no Desenrola
Força 8 MAI 2026

Serginho critica uso do FGTS no Desenrola

Idosos permanecem mais tempo no mercado de trabalho
Força 7 MAI 2026

Idosos permanecem mais tempo no mercado de trabalho

Força Sindical-SP visita nova estrutura do CATE Central
Força 7 MAI 2026

Força Sindical-SP visita nova estrutura do CATE Central

Força Sindical-RS fortalece unidade com nova filiação
Força 7 MAI 2026

Força Sindical-RS fortalece unidade com nova filiação

Maria Rosângela é homenageada em congresso sindical
Força 7 MAI 2026

Maria Rosângela é homenageada em congresso sindical

Centrais ampliam pressão pela Convenção 151
Força 7 MAI 2026

Centrais ampliam pressão pela Convenção 151

Sintrabor realiza Campanha da Boa Visão na Paranoá
Força 7 MAI 2026

Sintrabor realiza Campanha da Boa Visão na Paranoá

Sindec intensifica mobilização pelo fim da escala 6×1
Força 7 MAI 2026

Sindec intensifica mobilização pelo fim da escala 6×1

1º de Maio em Jundiaí une celebração e reflexão
1º de Maio 6 MAI 2026

1º de Maio em Jundiaí une celebração e reflexão

Milhares de metalúrgicos participam da 27ª Metalfest
1º de Maio 6 MAI 2026

Milhares de metalúrgicos participam da 27ª Metalfest

Frentistas aprovam pauta da campanha salarial no RJ
Força 6 MAI 2026

Frentistas aprovam pauta da campanha salarial no RJ

Centrais e deputados debatem jornada menor
Imprensa 6 MAI 2026

Centrais e deputados debatem jornada menor

Movimento sindical intensifica articulação contra escala 6×1
Imprensa 6 MAI 2026

Movimento sindical intensifica articulação contra escala 6×1

Trabalhadores defendem ganho real no piso gaúcho
Força 6 MAI 2026

Trabalhadores defendem ganho real no piso gaúcho

Metalúrgicos de Guarulhos celebram Dia das Mães sábado, dia 9
Força 6 MAI 2026

Metalúrgicos de Guarulhos celebram Dia das Mães sábado, dia 9

Metalúrgicos de Mirassol aprovam acordos na Facchini
Força 6 MAI 2026

Metalúrgicos de Mirassol aprovam acordos na Facchini

Sinpospetro RJ convoca assembleia em Volta Redonda
Força 6 MAI 2026

Sinpospetro RJ convoca assembleia em Volta Redonda

DIEESE promove debates sobre renda e jornada de trabalho
Força 5 MAI 2026

DIEESE promove debates sobre renda e jornada de trabalho

Políticas Públicas e o Desafio de Atender às Necessidades do Envelhecer
Artigos 5 MAI 2026

Políticas Públicas e o Desafio de Atender às Necessidades do Envelhecer

Chicão defende jornada reduzida no Senado
Força 5 MAI 2026

Chicão defende jornada reduzida no Senado

Metalúrgicos SP intensificam assembleias nas fábricas
Força 5 MAI 2026

Metalúrgicos SP intensificam assembleias nas fábricas

Frentistas do RJ participam do 1º de Maio em Copacabana
1º de Maio 4 MAI 2026

Frentistas do RJ participam do 1º de Maio em Copacabana

Eletricitários SP: assembleias definem rumos da campanha salarial 2026
Força 4 MAI 2026

Eletricitários SP: assembleias definem rumos da campanha salarial 2026

Festas do Trabalhador mobilizam químicos no interior
1º de Maio 4 MAI 2026

Festas do Trabalhador mobilizam químicos no interior

Festa do Trabalhador reúne 8 mil em Catalão
1º de Maio 4 MAI 2026

Festa do Trabalhador reúne 8 mil em Catalão

1º de Maio reúne metalúrgicos por democracia e direitos
Força 1 MAI 2026

1º de Maio reúne metalúrgicos por democracia e direitos

Aguarde! Carregando mais artigos...