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Camargo Corrêa demite e renegocia com fornecedores

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

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Camargo Corrêa demite e renegocia com fornecedores

Camargo Corrêa demite e renegocia com fornecedoresCrédito: Divulgação

Em carta enviada a trabalhadores, presidente da construtora diz que precisa adequar empresa à nova realidade de receitas

A construtora Camargo Correa demitiu nesta semana pelo menos metade de seus funcionários que trabalham no prédio administrativo da empresa. Além disso, está renegociando condições de pagamentos com fornecedores e encerrando uma série de projetos considerados não prioritários para a empresa. Em uma carta enviada no dia 10 de fevereiro a todos os trabalhadores, e a qual o 'Estado' teve acesso, o presidente interino Carlos Roberto Ogeda pede a todos que contenham gastos e tomem medidas para preservar o caixa.

Apesar de a carta não fazer nenhuma menção direta à Operação Lava Jato, em que diretores da construtora foram presos acusados de pagar propinas a dirigentes da Petrobrás, a crise da construtora está diretamente ligada a esse fato. Mas o presidente mencionou que além da grande dificuldade do setor de construção pesada no momento, a situação foi agravada pelas condições da economia, em que pese o baixo crescimento e a alta da inflação. Isso faz com que projetos sejam adiados. "Essa conjunção de fatores nos impõe fortes restrições de crédito no mercado financeiro", disse o presidente na carta.

Segundo fontes próximas à companhia, há mais de um ano a empresa não fecha nenhum contrato novo. Isso significa que na medida em que as obras dos projetos que atualmente estão na carteira da empresa terminem, os funcionários não serão reaproveitados. No fim do ano passado, eram cerca de 20 mil funcionários. Entre as principais obras públicas, a Camargo está hoje à frente da construção da usina hidrelétrica de Jirau e faz parte do consórcio que constrói a usina de Belo Monte. Em Jirau, no entanto, a obra já está quase no fim. A carteira da empreiteira é formado hoje por projetos principalmente no setor privado.

A expectativa é de que até o fim do ano, sem novos contratos, a empresa reduza pela metade seus quadros. A companhia não quis dar qualquer declaração sobre o assunto e apesar de ter confirmado as demissões, não confirmou os números de demitidos.

Ontem, engenheiros, projetistas, especialistas em compras e suprimentos, ligavam para seus contatos em busca de emprego. Segundo algumas fontes próximas à companhia, com a demissão os cinco andares ocupados pela construtora em um prédio da Avenida Faria Lima serão reduzidos a três.

Balanço. O último balanço publicado da construtora é referente ao ano de 2013. No fim daquele ano, a empresa tinha uma dívida de R$ 411 milhões com fornecedores e outros R$ 400 milhões em empréstimos. Faturou em 2013 R$ 4,5 bilhões. Mas a estimativa é de que este faturamento tenha caído pela metade. Na carta enviada aos funcionários, Ogeda chega a mencionar que os cortes estão sendo feitos para adequar a empresa "à nova dimensão de nossas receitas".

Nos últimos meses, as agências de classificação de risco têm reduzido as perspectivas de notas de crédito da construtora. Os bancos estão mais restritivos neste momento em concessão de novos empréstimos para as empresas envolvidas na operação. Além disso, a Camargo entrou na lista negra da Petrobrás, que acusou 23 companhias de formação de cartel e descartou qualquer possibilidade de novos negócios.

Negócios. Algumas fontes ligadas à empresa dizem que este pode ser o primeiro sinal mais forte de que de fato a empresa vá deixar o setor de construção, como já foi aventado no mercado depois que estourou o escândalo da Lava Jato. O grupo Camargo Corrêa é dono de hoje de empresas importantes em diferentes setores, como a companhia de energia CPFL, uma das maiores do País, a Alpargatas, a cimenteira InterCement, a segunda maior do setor, atrás apenas da Votorantim Cimentos.

A empresa é dona ainda de uma participação relevante no estaleiro Atlântico Sul, que possui um dos maiores contratos para a construção de sete sondas que serão usadas na exploração da camada pré-sal pela Petrobrás. Também neste negócio a situação é difícil. O ex-funcionário da Petrobrás, Pedro Barusco, em acordo de delação premiada acusa operadores ligados ao estaleiro de terem pago propina para fechar contratos de construção da sondas. Além disso, a Sete Brasil, empresa que faz a intermediação das sondas, está sem pagar os estaleiros desde novembro.

Fonte: Estado de S. Paulo

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