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Inflação começa 2015 pressionada

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

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Inflação começa 2015 pressionada

MÁRCIA DE CHIARA

Para economistas, IPCA de janeiro pode ficar acima de 1%, por causa de uma série de aumentos represados, como energia e gasolina

O ano de 2015 começa com a inflação ao consumidor pressionada, podendo passar de 1% em janeiro e romper a barreira de 7% em 12 meses. O repique do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) esperado para o primeiro mês do ano é resultado do acúmulo de aumentos de preços em diversos segmentos da economia.

Esse conjunto de pressões apontadas pelos economistas especializados em inflação inclui da volta do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre veículos 1.0, de 3% para 7%, e da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) sobre a gasolina ao reajuste de ônibus e energia elétrica. Além disso, há o impacto da alta recente do câmbio sobre os preços dos alimentos e de outros produtos comercializáveis e os aumentos que ocorrem toda virada de ano, como escolas e condomínios, a chamada inflação "gregoriana".

"O IPCA de janeiro deve chegar a 1,32%", prevê a economista da Tendências Consultoria Integrada, Adriana Molinari. O economista do Itaú Unibanco, Elson Teles, espera para janeiro inflação de 1%. Já Fabio Silveira, diretor de pesquisa da GO Associados, projeta alta de 0,8%. Diferenças numéricas à parte, as projeções têm um ponto em comum: indicam que a inflação esperada para janeiro deve superar de longe a do mesmo mês de 2014, de 0,55%.

É consenso entre os economistas que um vilão do IPCA de janeiro será a tarifa de energia elétrica. Nas contas de Teles, mais da metade do reajuste de 17,5% projetado pelo economista para a alta anual da tarifa de energia deve ocorrer em janeiro (8%). A eletricidade vai responder por um quarto da inflação de 1% que ele espera para o mês.

Adriana, da Tendências, projeta alta de 8,8% na eletricidade para janeiro de 2015. Essa forte pressão na tarifa de energia no mês deve ocorrer porque entra em vigor a bandeira tarifária, sistema pelo qual os custos da energia por causa do uso das termoelétricas serão repassados ao consumidor no momento em que ele usa a energia. Até 2014, a sistemática era outra e esse aumento de custo da energia era cobrado do consumidor no momento do reajuste.

Outro foco de pressão para janeiro é a volta da Cide sobre a gasolina, hipótese aventada pela nova equipe econômica para aumentar a arrecadação e ajustar a economia. "A gasolina deve subir 12,6% na bomba em 2015, sendo 9,3% só em janeiro, considerando a Cide de R$ 0,28 por litro", prevê Adriana.

As tarifas de ônibus urbano, que há muito tempo não têm reajuste no País, devem se concentrar no IPCA de janeiro. O destaque é para São Paulo, que responde por mais de um terço no IPCA, e vai reajustar a passagem de ônibus em 16,7%.

Alimentos. Silveira, da GO Associados, lembra que a pressão de alta dos preços dos alimentos que já ocorreu no atacado por causa da subida do dólar deve respingar nos preços ao consumidor no começo do ano. "As cotações de soja, café e bovinos tiveram altas bem significativas nos últimos dois meses no atacado e devem pressionar o grupo alimentação no começo do ano." Nas suas contas, em janeiro o grupo alimentação deve voltar a exibir altas acumuladas em 12 meses na faixa de 10%.

Silveira lembra que os produtos comercializáveis, aqueles cujos preços são afetados pelo câmbio, estão sob forte pressão desde setembro e, mesmo com a demanda fraca, repasses para o consumidor devem ocorrer.

Já Teles, do Itaú Unibanco, traça um cenário mais favorável para a alimentação. Ele diz que o clima favorável deve ajudar a ampliar a oferta de produtos e isso pode atenuar a pressão do câmbio nos preços em reais. "A carne está subindo 20% este ano e dificilmente isso vai se repetir em 2015. Se subir 7%, será um grande alívio."

Fonte: O Estado de S.Paulo

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